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Vacina contra zika será testada este ano

Testes com humanos começam a ser feitos após aprovação por órgãos do governo


Por: O Liberal Em 11 de abril, 2017 - 07h07 - Saúde

O diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Vasconcelos, que participa diretamente do desenvolvimento da vacina contra o vírus zika, em parceria com o Ministério da Saúde e a Universidade Medical Branch do Texas (EUA), disse ontem que até o final do ano devem ser iniciados os testes em humanos, com três fases a serem vencidas. Não há data para a vacina estar pronta, o que deve acontecer dois ou três anos após a conclusão dos estudos nos humanos.      

As pesquisas foram iniciadas em abril de 2016 e estão na última fase dos testes pré-clínicos. Após os experimentos eficazes em camundongos e no mosquito aedes aegypti, estão sendo feitos testes em macacos, cuja conclusão têm prazo final previsto para o início de maio. Em seguida, há necessidade de aprovação junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), antes de serem iniciados os testes clínicos em humanos. 

Em entrevista coletiva, Pedro Vasconcelos ressaltou que antes do prazo definido de um ano, o IEC já estava apresentando os resultados previstos sobre o vírus zika, um tipo de arbovírus transmitido pelo mesmo mosquito vetor da dengue e da febre chikungunya, o aedes aegypti. O Brasil registrou os primeiros casos da doença em 2015, mas o nome do vírus só se tornou conhecido no País após ter sido apontada pelo Ministério da Saúde a relação do zika vírus com a microcefalia, e o desencadeamento de um surto da doença sobretudo na região Nordeste.  

O diretor do IEC afirmou que a vacina em desenvolvimento tem o objetivo de prevenir a ocorrência de microcefalia pelo zika vírus, protegendo mulheres e jovens em idade fértil e crianças de 8 a 10 anos, antes da puberdade, o que garantiria defesa contra a microcefalia antes de uma possível gestação. 

Sobre os testes, ele disse que 30 dias depois de receberem a vacina, os ratos foram infectados em laboratório pelo vírus selvagem da zika, num procedimento denominado pelos cientistas de “desafio”. O resultado foi que todos os animais sobreviveram, sem apresentar viremia (presença de vírus no sangue) ou lesão em órgãos, mostrando que a vacina realmente protege contra o vírus.

Nos macacos, os resultados ainda são preliminares, mas as respostas também são muito boas. O que foi feito em camundongos está sendo reproduzido em macacos-rhesus e verde-africanos, informou o cientista, enfatizando que os macacos também serão submetidos à fase do desafio.

Ele explicou ainda que com primatas o prazo de espera para o desafio é de 60 dias - e não de 30 dias como no caso dos camundongos -, até que sejam infectados pelo vírus selvagem, que tem capacidade de causar lesão em camundongos, macacos e humanos. “Estamos esperando estes resultados para poder divulgar cientificamente. Inicialmente, a vacina está funcionando nos macacos como esperávamos”, frisou Pedro Vasconcelos.