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Um “não” aos políticos corruptos

Um dos grandes sonhadores dessa Pátria foi o antropólogo Darcy Ribeiro


Por: O Liberal Em 02 de outubro, 2016 - 09h09 - Editorial

Hoje é dia de festa. É dia de festejar a democracia, dia de participar da festa maior da liberdade. Mas esta festa tem um gosto especial, se lembrarmos que até pouco tempo essa celebração, por meio do voto, era impossível.

Ou se lembrarmos quantas vidas foram ceifadas na luta por esse direito - hoje, muitas vezes, por tantos e quantos, banalizado -, de pessoas que nutriram o sonho de jovens, pensadores, que um dia acreditaram nesta Pátria Mãe Gentil.

Um dos grandes sonhadores dessa Pátria foi o antropólogo Darcy Ribeiro, que tanto estudou o povo brasileiro e não cansava de enaltecer suas qualidades. E, para muitos, talvez essa injeção de autoestima seja fundamental para acreditar que o Brasil pode - sim - e deve seguir novos trilhos, rumo ao futuro, um futuro que hoje se faz presente.

Assim como Darcy Ribeiro, que nunca duvidou de que este país pudesse dar certo, como gostava de dizer, é importante ter em mente que a arma do voto pode salvar a Pátria das mãos de quem dela se locupleta. Se aproveitadores de plantão estão aptos a se infiltrar em movimentos populares e criar escaramuças em benefício próprio, cabe ao eleitor rechaçá-los, alijá-los, defrenestrá-los da vida pública.

Políticos que enriqueceram investidos de mandatos parlamentares, que não sabem a diferença entre o público e o privado - e não são poucos, que o diga a Operação Lava Jato - estão fadados ao esquecimento, este sim, o maior dos impeachments.

Pois na memória só fica quem se perpetua pelo caráter, pela retidão, pela obra, quem se volta para a construção coletiva, e não para o interesse próprio. Hoje é dia de lembrar letras de músicas que ficarão eternamente na memória, tipo daquelas de Chico Buarque mandando recados para a ditadura.

E hoje, tal qual o compositor um dia sonhou, é dia de cantarolar que, “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Nesse caso, um recado direito aos mensaleiros e beneficiários de petrolões, políticos, partidos, enfim, todos que hoje merecem serem escorraçados da vida pública.

É, portanto, com o espírito de justiça que o eleitor deve adentar à cabine de votação. Deve pensar, refletir, para não repetir eventurais erros cometidos; ou reafirmar, com convicção, escolhas bem-sucedidas, que valeram a pena e merecem a condição de representantes dos interesses do povo no Parlamento.

É importante levar em conta o passado recente, o impeachment da presidente Dilma Rousseff e o rosário de prisões de empresários e políticos metidos em falcatruas. É hora de acordar a nossa pátria mãe tão distraída, como diz o artista, subtraída em tenebrosas transações. É hora de dizer não a quem insiste em ludibriar, de apagar de vez o passado que insiste em se perpetuar nas tetas do governo a qualquer custo. É hora dizer, com todas as letras e números, NÃO.