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Três anos de Lava Jato

A Lava Jato demonstra que, mesmo neste Brasil que há cinco séculos tolerou a corrupção, tudo é possível


Por: O Liberal Em 17 de março, 2017 - 07h07 - Editorial

A corrupção no Brasil está demarcada por um limite claríssimo: antes e depois da Operação Lava Jato, assim entendida a roubalheira que rapinou os cofres da Petrobras, então a maior estatal brasileira, e a consequente repressão legal que envolve órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e Justiça Federal, entre outros.

Neste 17 de março, quando completa três anos, a Operação Lava Jato está demarcando dois Brasis: antes dela, o Brasil da corrupção que, mesmo nauseante, deixava os dois lados, o que dá e o que recebe, incólumes ao alcance da Justiça; depois dela, o Brasil da corrupção monstruosa, bilionária, reprimida com mãos fortes que não têm livrado absolutamente ninguém de responder perante a Justiça por seus atos criminosos.

Até três anos atrás, acreditava-se que o Brasil estava para sempre condenado a conviver com corruptos locupletando-se criminosamente de dinheiros públicos, com a certeza de que jamais seriam acossados pelas leis. De três anos para cá, o Brasil já acredita que a corrupção pode ser reduzida sensivelmente, porque os corruptos estão começando a perceber que roubar é possível, sim, mas certamente o ladrão irá para a cadeia se for flagrado. E sempre o será.

Em três anos, a Operação Lava-Jato rastreou pelo menos R$ 4,1 bilhões pagos a políticos, partidos e servidores públicos. Desse total, R$ 577,8 milhões foram comprovados em ações já julgadas em primeira instância na Justiça Federal do Paraná e do Rio. Outro R$ 1,7 bilhão faz parte de processos e investigações em andamento, sem sigilo judicial. Acrescente-se mais R$ 1,9 bilhão reconhecidos pela Odebrecht, que admitiu ser este o valor pago por subornos apenas no Brasil.

Entre os investigados estão figuras importantes do PMDB, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, acusado de ter recebido US$ 5 milhões em contas no exterior. A mulher dele, a jornalista Cláudia Cruz, segundo a acusação, teria usado parte do dinheiro para comprar bolsas, sapatos e roupas em lojas de grife no exterior.

Também é investigado, entre outros, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), personagem que tem um longo, longuíssimo histórico de malfeitorias contra os cofres públicos. Sua ficha corrida começou quando ele se elegeu governador do Pará, no início dos anos 1980, e prosseguiu nos anos subsequentes, com envolvimento direto em escândalos como o do Banpará e da antiga Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

A Lava Jato demonstra que, mesmo neste Brasil que há cinco séculos tolerou a corrupção, tudo é possível. Inclusive trazer-nos a certeza de que corruptos, enfim, agora vão para a cadeia.