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Torcedor ou bandido?

A megaoperação deflagrada pela polícia carioca é pedagógica, necessária e elogiável.


Por: O Liberal Em 27 de março, 2017 - 07h07 - Editorial

Lugar de torcedor bandido não é nos estádios e nem no entorno deles; é na cadeia, para ser indiciado e posteriormente processado por todos os crimes que eventualmente possa ter cometido dentro e fora de instalações esportivas.

Lugar de torcedor arruaceiro, selvagem e violento patológico não é nos estádios; é na cadeia, devidamente segregado das coletividades onde se mostra nocivo, pernicioso e potencialmente perigoso.

O que se espera encontrar na casa de um verdadeiro torcedor, aquele que vive para verdadeiramente torcer para seus times de coração? Espera-se encontrar camisas, bandeiras, faixas, flâmulas e uma enorme variedade de bens de uso doméstico que de alguma forma lembrem seu clube.

O que se espera encontrar na casa de um torcedor bandido, arruaceiro, selvagem, violento e criminoso? Espera-se encontrar, por exemplo, porretes, pregos cravados nas pontas para machucar de forma mais contundente os adversários das torcidas rivais, além de granada e soco inglês.

Pois foi exatamente isto - porretes, pregos, granada e soco inglês - que a Polícia encontrou na casa de bandidos, na megaoperação desfechada no Rio de Janeiro, há poucos dias, quando foram presos cinco suspeitos pela morte do torcedor do Botafogo Diego Silva dos Santos, de 28 anos, em fevereiro passado.

Foram cumpridos 20 mandados de prisão. Desses, oito pessoas teriam participado diretamente da morte do torcedor no entorno do Engenhão, na Zona Norte da cidade, e foram indiciados por homicídio e organização criminosa. Três suspeitos estão foragidos e são caçados pela polícia.

Ao ser interrogado pelos policiais, um dos presos disse que a filosofia da gangue expressa a mais genuína, deliberada e criminosa violência. “Ele deixou claro que a ideologia que prevalece na torcida não é ir para torcer, é ir para brigar”, disse o delegado Fábio Cardoso, ressaltando que os suspeitos se vangloriam dos crimes que cometem.

Em uma das imagens obtidas pela polícia, o presidente da gangue aparece com a camisa de um jogador amarrada no tornozelo, como uma espécie de troféu. “Isso aí a gente conseguiu apurar que é como se fosse um gesto de uma demonstração da vitória, que venceu o opositor. É como se fosse um troféu. Então, ele agride, faz a pessoa desmaiar ou mata a pessoa, como foi o caso do Diego, arranca a camisa dele e depois amarra na perna, como um gesto, um significado, como se fosse um troféu pela vitória, naquela guerra, que nesse caso foi matar um botafoguense”, explicou o delegado.

A megaoperação deflagrada pela polícia carioca é pedagógica, necessária e elogiável. Tomara que seja seguida em outras cidades, inclusive em Belém.