Mais Acessadas

Tecnologia também causa dependência

Médicos alertam para o uso excessivo dos aparelhos no dia a dia das pessoas.


Por: Victor Furtado / O Liberal Em 12 de março, 2017 - 13h01 - Tecnologia

A tecnologia móvel se tornou quase indispensável para muitas pessoas. Há quem não saia de casa sem celular, tablet ou notebook, já que esses dispositivos armazenam muita informação, ajudam no trabalho, nos estudos, na comunicação e no lazer. Mas tanto tempo manuseando esses aparelhos tem resultado em dores diversas nas mãos, no pescoço e na coluna. Psicologicamente, a falta de contato com eles pode gerar ansiedade, pânico, estresse, depressão e crises de abstinência. Médicos, que também possuem seus dispositivos móveis, apontam que a sociedade está tão dependente, que está adoecendo de muitas formas e não percebe.

A doença de quem não consegue mais sequer se imaginar sem o seu dispositivo móvel, muito menos passar algumas horas sem ele, tem nome: nomofobia (derivação do inglês no mobile ou sem dispositivo móvel). O psicólogo Alex Miranda, professor, mestre e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Maurício de Nassau, aponta que a abstinência de alguém já muito dependente dos celulares, tablets e notebooks chega a ser comparada à da cocaína. E para detectar o quão avançada está essa adicção, basta fazer um teste prático e ver quanto tempo é possível ficar sem mexer nos aparelhos. Se apenas a ideia de fazer isso for impensável, é mau sinal.

“As crises de abstinência têm os mesmos sintomas de uma privação de drogas: tremores, depressão, ansiedade, irritabilidade, desorientação e estresse. Afinal, esses aparelhos hoje são quase uma extensão do nosso corpo, quase como um membro. As crianças começam cada vez mais cedo a manusear. Os adolescentes (e muitos adultos) não largam. Todo mundo pode usar, mas não se pode deixar que atrapalhe a vida e o desempenho de outras tarefas, mesmo as mais corriqueiras, como se alimentar, ir ao banheiro, estudar ou trabalhar”, alerta Alex, mostrando os indícios de que alguém já pode estar dependente da tecnologia.

Celulares são indispensáveis para a vida moderna, mas podem causar transtornos (Foto: Oswaldo Forte)

Outra consequência do uso excessivo da tecnologia móvel é a fobia social. O psicólogo explica que a pessoa parece se sentir muito mais à vontade interagindo com as pessoas pelo mundo digital do que pelo físico e pessoal. Essa condição pode se agravar e chegar a um medo ou total aversão de ter contato com outras pessoas que não pela internet. Isso é bem evidente com as personalidades que as pessoas expõem nas sociais digitais, muitas vezes bem diferentes do que costumam ser pessoalmente.

“As medidas para reduzir os impactos dessa dependência são começar a controlar o uso. Antes de dormir, não se deve usar os dispositivos, pois aquela última olhadinha pode durar uma hora ou mais e tirar o sono. Ao se alimentar, assistir um filme ou ir ao banheiro, o aparelho não deve ser usado. Também é importante aumentar o contato pessoal e resgatar outras atividades interessantes. Por fim, se houver dificuldade em seguir esses passos, buscar orientação médica”, conclui Alex.

A fotógrafa e microempresária Vanessa Gonçalves está em tratamento pelo uso excessivo de celulares. Ela tem três aparelhos. Quando percebeu que isso a estava prejudicando, começou a se controlar e tentou vender um. Mesmo conseguindo um comprador, desistiu. Foi quando buscou ajuda. “Estou bem mais ‘zen’ agora. Contratei uma pessoa para responder às redes sociais. Ainda estou com os três celulares, mas estou me recuperando. Tive consciência de que estava me afetando”, relata.