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Sessão sobre Uber acaba em tumulto na Câmara de Belém

Vereadores batem boca com defensor do aplicativo, que foi retirado pela segurança


Por: O Liberal Em 17 de março, 2017 - 07h07 - Belém

Terminou em confusão a sessão especial realizada na Câmara Municipal de Belém, ontem (17) pela manhã, para debater o uso do aplicativo Uber na capital paraense. O pronunciamento de Aleffe Gama, do Movimento Liberal Paraense, desencadeou a revolta dos vereadores, que bateram boca com ele, e resultou no encerramento da sessão. Os vereadores disseram que foram desrespeitados por Aleffe. Este afirmou que teve desrespeitado seu momento de opinar e ainda foi agredido verbalmente por alguns vereadores. 

Guardas municipais retiraram Aleffe do plenário. Impedido de permanecer, Aleffe acabou indo para a galeria onde estavam os taxistas, que também exigiram a retirada dele desse recinto - os motoristas que trabalham para os aplicativos concentraram-se na outra galeria. Logo depois, outra confusão: Gustavo Diniz, do Movimento UFPA Livre, foi acusado de usar termos racistas para o taxista Fernando Nascimento. “Ele não queria que eu tocasse nele e me chamou de preto, macaco”, afirmou o motorista. “Ele está me acusando de racismo. Só que eu tenho tudo filmado. Eu não usei termos racistas. Eles me agrediram e me hostilizaram”, afirmou o jovem, de 20 anos.

Foto: Tarso Sarraf/O Liberal

Os taxistas ficaram revoltados com a acusação atribuída a Gustavo, os ânimos ficaram exaltados novamente e houve nova intervenção da Guarda Municipal de Belém. Gustavo e Fernando foram encaminhados para a Seccional de São Brás, para as formalidades legais. O vereador Gustavo Seffer (PSD) disse que o objetivo da sessão, proposta por ele, não alcançou seu objetivo. E uma nova rodada de debates será marcada posteriormente. Às 11h35, e por falta de condições de continuar os debates, ele encerrou a sessão. No final do ano passado, foi aprovado o projeto de lei do vereador Orlando Reis que proíbe o uso de aplicativos de transporte na capital. Mas, graças a uma liminar, desde o início de fevereiro o Uber e Yet GO estão funcionando normalmente em Belém. Esse impasse motivou a sessão especial.

O vereador Gustavo Sefer lamentou o desfecho da sessão. “Infelizmente, o objetivo não foi alcançado. Nós tratamos hoje (ontem) de um assunto muito importante. A população se mobilizou. Dificilmente você vê uma sessão especial tão cheia quanto a de hoje (ontem). E a gente já sabia que era um tema contraditório, que mexe com as emoções dos dois lados (taxistas e motoristas de aplicativo). Tivemos um princípio de tumulto”, afirmou, lembrando que a sessão foi suspensa por duas vezes. 

Ele acrescentou: “Não houve mais clima para continuar. Fico triste. A superintendente da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) tirou manhã para vim aqui e não teve oportunidade de se pronunciar por causa dessa confusão. Vamos ver uma nova data, reabrir esse debate. É um tema importante e a população de Belém precisa ter essa resposta. O Uber e os demais aplicativos já são uma realidade em Belém e em mais de 30 cidades do país. Como representantes do povo, deveríamos procurar regulamentar o aplicativo, assim como já foi feito em São Paulo, Brasília, Vitória e Porto Alegre, onde os prestadores de serviços contribuem com o município, e, dessa forma, tentando equiparar, para que haja uma concorrência justa entre taxistas e motoristas do Uber. A ideia era ouvir as ideias para que a gente possa tentar implementar uma regulamentação no serviço do Uber e, de forma alguma, bloqueá-lo”.

Em seu pronunciamento, Aleffe Gama disse que a lei aprovada pelos vereadores, no ano passado, e que proibiu o Uber, “é inconstitucional”. “Temos um bando de vereadores que estão juntos com os taxistas e não querem saber da população. Os aplicativos são legais. Não estamos contra os taxistas, que vão continuar trabalhando. A gente está falando de escolha, de mercado, de poder usar o aplicativo, o táxi que você quiser”. Ele acrescentou: “Na hora da minha fala, o vereador Joaquim Campos (PMDB) me interrompeu. Eu disse pra ele ficar em seu lugar e respeitar a minha fala. Quando eu falei isso, ele se levantou para me agredir com palavras, ameaças, apontou o dedo para mim, e fez isso junto com outros vereadores (Aleffe citou, ainda, Sargento Silvano (PSD), Igor Andrade (PSB) e Zeca Pirão (Solidariedade). O que aconteceu dentro da Câmara, onde a democracia deve prevalecer, foi o desrespeito. Ninguém ameaçou ninguém nem agrediu. Fomos chamados de moleque. Vereadores desrespeitaram o direito de darmos a nossa opinião em uma audiência pública. A forma como esses vereadores - não todos, mas parte deles - conduziram a sessão para a agressão, a violência, incitando os taxistas a também nos agredirem. Fica aqui o nosso repúdio”, afirmou.