Mais Acessadas

Senadores deixam rastro de corrupção


Por: O Liberal Em 06 de setembro, 2016 - 07h07 - Editorial

Apresidente Dilma perdeu o mandato, o novo presidente assumiu, mas as falcatruas de parlamentares que fazem uso político do mandato para garantir benesses à custa do dinheiro público continuam. A Operação Lava Jato, mandou ontem de volta para a cadeia o empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, por ordem do juiz federal Sérgio Moro. O magistrado atribui ao empresário amigo do ex-presidente Lula o que chamou de “pagamento sistemático de propinas a agentes públicos, não só da Petrobrás, mas também a agentes políticos”.

A Operação Lava Jato, que contribuiu para derrubar a presidente Dilma, começa agora a ser alvo de políticos que se veem ameaçados pelas investigações. Por essa razão, o juiz Sérgio Moro, juntamente com outros juízes federais e estaduais, procuradores da República, promotores, procuradores de Justiça, delegados e servidores públicos realizaram na semana passada um ato em frente à sede da Justiça Federal, em Curitiba (PR), contra projeto que altera a Lei de Abuso de Autoridade (PL  280/2016), de autoria de ninguém mais, ninguém menos, que o próprio presidente do senado Renan Calheiros (PMDB), também alvo da Operação Lava Jato.

E quanto mais as investigações de aprofundam, mais o ninho do PMDB - e agora não são somente tucanos - mas pássaros graúdos, de todas as plumagens, começam a aparecer como suspeitos de se beneficiar de esquemas de corrupção. Nomes notórios, sempre ligados a esquemas de assalto aos cofres públicos - vêm novamente à tona sob suspeita de recebimento de propina nas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte.  

Matérias publicadas na imprensa dão conta de que o PMDB recebeu das empresas que integram o consórcio que construiu a hidrelétrica R$ 159,2 milhões nas eleições de 2010, 2012 e 2014, segundo o documento sigiloso obtido pela Folha de S.Paulo. O montante, de acordo com o jornal, “é a soma de doações oficiais de nove empresas que integram o consórcio para o diretório nacional, diretórios estaduais e comitês financeiros do partido”.

O jornal faz uma comparação que dá a dimensão do tamanho do propinoduto: “o valor é mais do que o dobro dos R$ 65 milhões que as principais empresas investigadas na Lava Jato (Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia) doaram oficialmente para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2014”.

Ou seja, as maiores empreiteiras do País estavam nas mãos de quem comenadava e articulava o poder político via Legislativo, como forma de pressionar o Executivo na manutenção de cargos executivos que facilitam o escoamento dos recursos ilegais para os cofros de parlamentares e partidos.

Vale a pena lembrar que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, era do PMDB e era quem controlava as empresas da área. O esquema montado foi revelado pelos delatores da Operação Lava Jato. O próprio ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo,contou aos procuradores que o consórcio que fez a obra da usina teve de pagar suborno de 1% sobre o valor do contrato, de R$ 13,4 bilhões. Ou seja, um suborno que bate à casa de R$ 134 milhões.

Foi com base em todas essas evidências - inclusive em informações de outro delator, que a Polícia Federal chegou aos nomes de Renan Calheiros (AL), presidente do Senado; Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO), como beneficiários do esquema de corrupção. A conclusão do documento, diz a Folha, “é que todos os quatro receberam as maiores contribuições de suas campanhas não de empresas, mas do PMDB”. Resumindo: campanha paga com dinheiro sujo de propina.... Quem é corrupto notório, conclui-se, mais cedo ou mais tarde, sempre aparece.