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Risco de Alzheimer pode começar no útero, diz estudo

Estudo sugere que alimentação rica em gordura durante a gravidez pode tornar os filhos mais vulneráveis ao mal


Por: O Globo Em 26 de março, 2014 - 09h09 - Saúde

Os hábitos de uma mulher grávida influenciam a saúde do bebê. Até aí, nada de novo. Mas, agora, cientistas britânicos elevaram a importância da alimentação de gestantes. De acordo com uma pesquisa feita em camundongos, mães que comem alimentos ricos em gordura durante a gravidez podem fazer com que seus filhos sejam mais vulneráveis a desenvolver o mal de Alzheimer.

Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, observaram as reações cerebrais de descendentes de camundongos alimentados com uma dieta gordurosa. Eles notaram que os filhotes tinham maior probabilidade - na comparação com aqueles gerados em uma gestação normal - a sentir o fluxo sanguíneo prejudicado no cérebro, uma característica ligada à doença.

Após o nascimento, a gordura também provocou danos na atividade cerebral. Os cientistas alimentaram os pequenos camundongos com a mesma dieta das gestantes. Seus cérebros tornaram-se menos capazes de se livrar de uma proteína amiloide prejudicial, que se acumula em emaranhados no cérebro dos doentes de Alzheimer.

- Nossos resultados preliminares sugerem que a dieta das mães durante a gravidez pode ter efeitos a longo prazo sobre o cérebro de seus filhos e sua saúde vascular - disse Cheryl Hawkes, principal autor da pesquisa, ao “Telegraph”. - Nós ainda precisamos fazer mais trabalhos para entender como traduzir nossas descobertas para os seres humanos, mas já sabíamos há algum tempo que a proteção da saúde das mães durante a gravidez poderia ajudar a reduzir o risco de problemas de saúde em seus filhos.

Hawkes ressaltou que o próximo passo será relacionar os resultados com a doença em pessoas, para que a descoberta possa ajudar na prevenção. A pesquisa foi apresentada em uma conferência sobre pesquisas do Alzheimer em Oxford, na Inglaterra.

- É importante lembrar que esta pesquisa foi feita em ratos, mas esses resultados adicionam informações à evidência existente de que o risco do Alzheimer mais tarde na vida é afetado por nossa saúde mais cedo - analisou Eric Karran, diretor de pesquisa da instituição de caridade que financia o estudo. - Este estudo vai um passo além, ao sugerir que o que acontece no útero também pode ser importante. Estamos satisfeitos por ter financiado esta pesquisa, que traz uma nova luz sobre o complexo quadro de risco de Alzheimer.

No entanto, os cientistas afirmam que se trata de um estudo preliminar, e que mais pesquisas devem ser feitas para que haja implicações importantes para o conhecimento da doenças em humanos.

- O alzheimer é uma doença complicada e é provável que o nosso risco seja afetada por uma série de diferentes fatores genéticos e ambientais - afirmou Karran. - As pesquisas para entender esses fatores podem ajudar a prevenir a doença, mas, entretanto, as evidências sugerem que podemos reduzir o nosso risco ao comer uma dieta saudável e equilibrada, fazendo exercício físico regularmente, não fumando e mantendo a nossa pressão arterial e peso sob controle.