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Políticos tipo exportação


Por: O Liberal Em 06 de novembro, 2016 - 09h09 - Editorial

Os desmandos e a falta de responsabilidade no trato do dinheiro público, prática que vem se perpetuando na vida política brasileira, começa a mostrar os rombos que deixaram pelo caminho. Afinal, fonte de onde só se retira um dia seca.

É o que vem acontecendo no Rio de Janeiro, estado que vem pagando o funcionalismo público a duras penas. Há algum tempo o governo do Estado não consegue pagar integralmente os salários, e ainda com atraso.

Não bastasse a falta de controle e gestão ao longo dos anos e dos sucessivos governos, a bomba sempre estoura nas mãos do pobre trabalhador assalariado, que é quem paga a conta da vida nababesca que levam meia dúzia de privilegiados, muitos dos quais beneficiados com propinas e reformas de apartamentos bancados por empreiteiras.

É o que se tentou fazer com a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - a CPMF, sob o pretexto de bancar custos do setor de Saúde, uma contribuição que inicialmente seria provisória, mas que acabaria se perpetuando, não fosse rejeitada pelo Congresso, impondo uma das maiores derrotas do governo Lula.

Vira e mexe, no entanto, fala-se novamente na recriação do famigerado imposto. O que se tem de certo, no entanto, é que quando as contas do governo não fecham, o Poder Público não se faz de rogado a aumentar a carga tributária e arrochar ainda mais a corda no pescoço do pobre.

É o que propõe agora o governo do Estado do Rio de Janeiro, que está praticamente falido. O pacote de medidas anunciado pelo governo, via decreto, prevê que todos os servidores públicos descontem contribuição de 30% para a previdência, num período mínimo de 16 meses. Sem falar nos cortes de secretarias e extinção de programas sociais, com o objetivo gerar resultado positivo de R$ 13,3 bilhões em 2017 e R$ 14,8 bilhões em 2018. Por outro lado, criticam os sindicatos, o governo mantém incentivos fiscais para grandes empresas, que deixam de recolher aos cofres públicos.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), disse que vai se empenhar para aprovar as propostas ainda em 2016, com a convocação de sessões extraordinárias, caso seja necessário. O Legislativo, aliás, não para de legislar em causa própria, o que é uma vergonha. No mesmo momento em que as medidas de austeridade contra os servidores foram anunciadas, os vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro colocavam em pauta de votação projeto de lei que previa pagamento vitalício de pensão no valor de R$ 15 mil para os vereadores que tivessem sido eleitos para três mandatos seguidos, ou quatro, intercalados. A proposta, diante da repercussão negativa na mídia, foi rejeitada, mas teve o apoio inclusive do ex-vereador e deputado estadual e federal da bancada paraense João Batista, o Babá, muito conhecido no Pará, mas que trocou as cores da bandeira do seu coração pelas do Rio de Janeiro. Será que políticos dessa estirpe fazem falta ao Pará?

O problema é que muitos desses políticos também precisam ser “exportados”, uma vez que os interesses do Pará sucumbem aos interesses próprios de cada um, independentemente de coloração partidária. Há, por exemplo, quem tenha votado contra o impeachment da presidente Dilma e execrado o PMDB pelo “golpe” que levou o vice Michel Temer à Presidência no lugar de Dilma, mas mesmo assim fez aliança com o candidato peemedebista no afã de conseguir o poder.

Infelizmente, a bancada paraense, em alguns casos, ao que parece, é só nome.