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Política e Olimpíadas. Quem vencerá?

Sem falar, é claro, do evento maior, do qual o Brasil foi sede, a Copa do Mundo


Por: O Liberal Em 14 de agosto, 2016 - 09h09 - Editorial

O que futebol e política têm em comum? Esses dois campos, por assim dizer - que aparentemente nada têm em comum - são marcas registradas da vida brasileira. O futebol, uma espécie de válvula de escape, leva o brasileiro ao delírio, principalmente na Copa do Mundo. Mas não são poucos os campeonatos que se encarregam de atrair a atenção do torcedor ao longo do ano, com séries A, B, C e D, Copa do Brasil e os campeonatos estaduais, além das copas Sul-Americana e da Libertadores da América. Sem falar, é claro, do evento maior, do qual o Brasil foi sede, a Copa do Mundo.

No âmbito da política, quem costumar acompanhar os lances do jogo político no Congresso e no Palácio do Planalto vem assistindo de perto fatos inusitados da vida política brasileira, com o afastamento de mais um presidente da República, uma vez que Dilma Rousseff poderá ter definitivamente o seu mandato cassado, em menos de 31 anos de democracia.

Se os conchavos que dominam os embates entre partidos políticos também pulam o alambrado dos estádios, muitos parlamentares também ousam fazer jogadas fenomenais que levam ao enriquecimento ilícito, uma espécie de “esporte nacional” informal que ganha cada vez mais adeptos, em mensalões e petrolões.

Mas quando futebol e política chamam, ao mesmo tempo, a atenção de torcedores/eleitores, há que se verificar o que existe por trás nesse “reino da Dinamarca”. Enquanto os escretes canarinho de Neymar, Marta e companhia atinçam sonhos de medalhas olímpicas, corre por trâs um processo que pode mudar a vida política e os rumos do País.

E esse fato já tem data marcada: 25 de agosto, poucos dias depois do término das Olimpíadas, quando o impeachment da presidente Dilma será julgado. A interseção de novos fatos, nesses dois campos, nos remete à época do regime de exceção. Quem não lembra quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial em 1970, enquanto se vivia nos porões da ditadura as páginas mais negras da história política do País?

Sob a alegria da conquista futebolística, as dores que marcaram os anos de chumbo, ante a liberdade suprimida diante de milhares de brasileiros eufóricos com uma suposta vitória, que apenas mascarava as agruras que ainda estariam por vir de forma ainda mais contudente.

Hoje, resta saber se o Brasil do futebol, masculino e feminino, do vôlei, do handebol, da ginástica olímpica e do atletismo, vai poder realmente comemorar vitórias plenas. Resta saber se o afastamento de mais um presidente da República constitui-se vitória ou derrota? Se vitória, por um lado, por afastar a corrupção das hostes do poder, certamente derrota por escolhas malfeitas nas urnas. 

Se o lance de legalidade - que, portanto, não configura golpe, como ocorreu na ditadura - se consumar, resta saber se, tal qual nas Olimpíadas, o país terá realmente o que comemorar. Ou, se tal qual no governo petista, o PMDB será apenas outra raposa dentro do galinheiro. Talvez leve algum tempo para a ficha cair, para a população refletir sob o ângulo das liberdades democráticas e da legalidade e legimitidade da Constituição Federal, para chegar à certeza de que a decisão política constituiu-se verdadeiramente uma vitória. Porque é esta vitória - também no âmbito político - , que o povo brasileiro verdaderiamente espera.