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PMs são absolvidos de acusação de homicídio

Militares foram julgados pelo assassinato do produtor de eventos Gustavo Russo, de 27 anos, em janeiro de 2005


Por: Redação ORM News com informações de O Liberal Em 06 de abril, 2017 - 21h09 - Polícia

Foto: Cláudio Pinheiro

Os policiais militares Jorge Luis Cardoso Aquere e Paulo Reinaldo Corrêa Batista foram julgados nesta quinta-feira (06) pelo assassinato do produtor de eventos Gustavo de Oliveira Maia Russo, de 27 anos. A decisão dos jurados foi pela absolvição de ambos. O crime ocorreu em janeiro de 2005. No ano de 2010, eles já tinham sido levados a julgamento e na época também foram absolvidos. 

A previsão inicial era de que o julgamento ocorreria em dois dias, mas em virtude da ausência de sete testemunhas foi possível diminuir o tempo e dar a sentença logo no primeiro dia. Aproximadamente às 21h a decisão foi lida. O julgamento iniciou por volta de 8h, com o depoimento dos peritos do caso. Em seguida, o depoimento da mãe da vítima, Iranildes Russo, e prosseguiu com as oitivas das testemunhas de acusação. No final da manhã foram realizadas as oitivas das testemunhas de defesa.

Por volta das 14h, os réus foram ouvidos. No depoimento de Jorge Luis Cardoso Aquere, 49 anos, que é policial militar reformado e que foi absolvido em júri realizado em junho de 2010, ele apresentou o argumento de que era o motorista da primeira viatura que passou a perseguir o suspeito com farda de policial, Lucivaldo Ferreira. Ele também alegou não ter feito nenhum disparo e se considera injustiçado.

Mas a  promotoria entendeu que quem contribui para a prática de um crime é coautor e, por isso, ele foi denunciado. O policial militar Paulo Reinaldo Corrêa Batista também era motorista de uma das três viaturas que estavam na perseguição. Ele ainda está trabalhando na PM. Durante o depoimento ele sustentou a mesma versão, de que estava apenas dirigindo a viatura.

Os familiares dos policiais e da vítima acompanharam todo o julgamento. A mãe de Carlos Gustavo Russo, conhecida como a fundadora do Movida, estava acompanhando tudo e disse que aguarda por justiça. Ela acredita na tese da promotoria, uma vez que mesmo que os policiais estivessem dirigindo e não efetuaram disparos contra o seu filho ela diz que eles poderiam ter dado outro rumo para a história.

No entanto, a família de Gustavo de Oliveira Maia Russo, de 27 anos, viu a decisão se repetir. O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) havia recorrido da decisão, anulando a primeira sentença de absolvição. Mas os jurados acataram novamente a tese da defesa dos acusados de negativa de autoria e decidiu pela inocência dos policiais. A promotoria informou que a decisão do juri é soberana e que desta vez não há elementos para se recorrer do que foi determinado. 

Caso ocorreu em 2005

O caso contra o promotor de eventos ocorreu no dia 10 de janeiro de 2005, no bairro do Marco. A vítima foi abordada por um bandido que estava fugindo da polícia e durante a perseguição policial, foi feita refém. Conforme consta nos autos, várias viaturas da Polícia Militar cercaram a vítima e o bandido e efetuaram 22 disparos contra o veículo do promotor de eventos.

Ele foi atingido com sete disparos e, após laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, ficou constatado que a arma usada pelo assaltante não tinha munição, no que mostra que a polícia agiu de forma precipitada. Após a ação violenta, oito policiais militares foram responsáveis pelo crime. Sendo que cinco foram condenados e três absolvidos.