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Polícia alemã prende quatro suspeitos de conexão a atentado

Sob pressão, autoridades caçam tunisiano que teria matado 12 em Berlim


Por: O Liberal Em 22 de dezembro, 2016 - 08h08 - Mundo

O chefe da procuradoria federal alemã confirmou que quatro pessoas foram detidas por suspeita de conexão ao atentado que matou 12 pessoas e feriu outras 48 na última segunda-feira em Berlim, segundo o jornal "Bild". A publicação afirma que os presos tinham contato com o tunisiano suspeito de ter cometido o ataque, dirigindo o caminhão que atropelou a multidão em um mercado de Natal. O imigrante, identificado como Anis Amri, já era anteriormente investigado por terrorismo, o que aumenta a pressão sobre as autoridades, que não conseguiram prevenir o ataque, reivindicado pelo Estado Islâmico (EI).

Autoridades alemãs ainda não comentaram o caso publicamente ou para outros veículos da imprensa. Enquanto isso, continua a caça ao suspeito tunisiano em vários países da Europa. A sua identidade foi descoberta depois que investigadores descobriram uma carteira com seus documentos no caminhão. Na Dinamarca, a polícia conduziu buscas em uma balsa no porto de Grenaa, após ter recebido pistas de que um homem parecido com Armi havia sido visto ali. No entanto, os policiais não tiveram sucesso na operação.

A Alemanha ofereceu na quarta-feira uma recompensa de até 100 mil euros em troca de informações que levem à prisão do suspeito. O imigrante chegou ao país no ano passado e estava no radar das autoridades alemãs desde junho. O seu pedido de abrigo foi rejeitado e o governo estava tentando deportá-lo depois de saber que estava planejando um “ato grave de subversão violenta”, segundo um alto funcionário do governo. Ele acrescentou que o tunisiano tinha ligações com extremistas islâmicos.

A revelação de que o suspeito já era vigiado pelas autoridades alemãs, no entanto, aprofunda ainda mais os desdobramentos políticos do atentado em Berlim, apontando para falhas no sistema de deportação da Alemanha e provocando questionamentos sobre o acolhimento humanitário de refugiados empreendido pela chanceler federal do país, Angela Merkel. Só no ano passado, cerca de um milhão de imigrantes pediram asilo em solo alemão.

A polícia alemã divulgou fotos do suspeito de ter cometido o atentado em Berlim: o tunisiano Anis Amri, de 24 anos

HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA

Embora a grande maioria dos milhares de refugiados que chegam à Europa estejam fugindo de guerras e miséria no Oriente Médio e na África, Amri, segundo as autoridades, não fez parte da onda de imigrantes que entraram no continente pela rota principal, vindos por Turquia e Grécia. Em vez disso, ele chegou à Alemanha, no ano passado, via Itália, onde aparentemente entrou em 2012.

— Por que um requerente de asilo com tais antecedentes e sem passaporte estava andando pelas ruas alemãs é a questão para a qual 82 milhões de alemães provavelmente querem uma resposta — afirmou o presidente da União Policial Alemã, Rainer Wendt. — Por quanto mais tempo essas bombas-relógio estarão vagando por aqui? Vimos quanto dano uma pessoa pode fazer com um caminhão.

Em nota, promotores de Berlim informaram à agência Associated Press que tinham aberto uma investigação contra Amri no dia 14 de março, dando sequência a uma investigação das agências federais de segurança. Segundo os agentes, o tunisiano planejava conseguir dinheiro para comprar de armas automáticas para usar num atentado. De fato, Amri esteve envolvido em tráfico de drogas num parque de Berlim e se envolveu numa briga de bar, mas não havia nenhuma prova substancial sobre a possibilidade de executar um ataque terrorista e a vigilância foi cancelada em setembro.

Em entrevista à tunisiana Rádio Mosaique, o pai de Amri e fontes de segurança do país africano afirmaram que o suspeito deixou a Tunísia há sete anos e passou quatro anos preso na Itália, acusado de ter provocado um incêndio numa escola. O pai acrescentou que o filho havia partido para a Alemanha há um ano.

A Rádio Mosaique informou que o suspeito também foi acusado de um violento assalto na Tunísia. E que também as autoridades do país interrogaram o pai sobre possíveis ligações de Amri com o Estado Islâmico.