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Poesia e silêncio

Vasco Cavalcante lança hoje o seu primeiro livro de poemas, fechando um ciclo de mais de 30 anos de produção poética


Em 07 de maio, 2015 - 06h06 - Magazine

VICENTE CECIM

Da Redação

O livro de poemas “Sob Silêncio”, de Vasco Cavalcante, publicado pela Editora Patuá, de São Paulo, será lançado hoje (7), a partir das 18h30, na Fox Vídeo Livraria. O livro, com prefácio de Paulo Nunes e posfácio de Antonio Moura, é o primeiro publicado por Vasco e condensa parte da sua obra, fechando um ciclo de mais de 30 anos de poesia.

Mas o fato de ser o primeiro, após tantos anos, não significa que será o ultimo, garante ele, que diz seguir um “ensinamento maravilhoso, apreendido após ouvir o grande poeta Max Martins dizer que ‘um poema só termina quando é publicado, antes disso está em constante transformação’”. Indagado sobre quando começou a escrever, Vasco brinca:”Já escrevia quando ainda habitava a barriga da minha mãe.”

Depois, falando sério, acrescenta: “Nas minhas divagações, essa pergunta sempre me trouxe incertezas. Mas o homem vive de incertezas, suposições e descobertas, para mais incertezas ainda, e isso me apraz. Talvez quando eu aprendi a escrever o que mais me encantou foi o fato de poder me expressar também em forma escrita, e com o tempo fui descobrindo que essa forma era a que mais tinha coerência.”

A propósito da publicação do seu primeiro livro, ele recorda suas antigas lutas para publicar poemas em Belém: “Participei, no início dos anos 1980, do grupo de poesia alternativa ‘Fundo de Gaveta’. Nosso grupo, devido à dificuldade na época de se editar e publicar, transformava envelopes comerciais em livro, interferindo com ilustrações na parte externa dos envelopes e alocando poemas soltos dentro para comercialização em bares, praças e eventos culturais.” Mas, no seu caso, revela, a dificuldade de editar não foi o único motivo de seu primeiro livro só ter saído agora: “Vem aí talvez uma estranha forma de amar a poesia. Sempre gostei do jogo, de brincar com as palavras, de ficar mexendo e descobrindo novas formas de expressar a minha visão das coisas, do mundo e da vida. Fechar o exercício da transformação poética, era como tirar um brinquedo das mãos de um menino. A velha história trazida por Heráclito de que toda vez que vemos um mesmo rio o vemos de forma diferente. Isso para mim era o mais fascinante. Sempre tive um monte de escritas, rabiscos e poemas inacabados e que talvez jamais os termine, porque o lúdico é o que me impulsiona.”

Ele cita suas maiores influências: “Drummond, Ana Cristina Cesar, Ferreira Gullar, os irmãos Campos, na poesia concreta, Fernando Pessoa, Maiakovski, Paul Celan, Octávio Paz, Ungaretti, Ezra Pound, e.e. cummings, Khlebnikov, Akhmátova, Alejandra Pizarnik, Herberto Helder.” E faz questão de destacar a que talvez seja a maior de toda: a do poeta paraense Max Martins, que conheceu quando morava na Vila do Iapi e era seu vizinho.

O título “Sob Silêncio”, ele diz que nasceu de um pequeno poema: “Sobre o silêncio, não há nada. / À luz de um poema, / sob silêncio / mu(n)do”. E esclarece: “O título do livro significa estar em uma condição para a manifestação da escrita poética. O Silêncio a que me refiro é de dentro, é estar em estado de se abstrair da realidade do mundo para a contemplação e descoberta da voz interior, para o devir do fazer poético.”

Paraense, de Belém, Vasco Cavalcante foi um dos fundadores do grupo de poesia alternativa Fundo de Gaveta, que se manteve ativo entre os anos 1981 e 1983, do qual também participavam Celso Eluan, Jorge Eiró, William Silva, Yru Bezerra e Zé Minino. O primeiro livro publicado pelo Fundo de Gaveta, em 1985, selecionado por edital da Secretaria Municipal de Cultura (Semec), foi “Poesias: Coletiva”, do qual participaram os poetas Jorge Henrique Bastos e Reivaldo Vinas. Individualmente, após a extinção do grupo, Vasco Cavalcante prosseguiu seu caminho na poesia. Publicou “Tem poemas” na revista virtual “Zunai” e outros poemas na revista impressa “Polichinello”. Em 2012, foi convidado a participar da plaquete de poemas “Desvio para o vermelho: treze poetas brasileiros contemporâneos”, organizada por Marcele Becker, lançada pelo Centro Cultural de São Paulo (Ccsp). Este ano, Vasco já havia organizado e lançado a plaquete “30 poetas | 30 poemas”, em comemoração aos 18 anos do site Cultura Pará, que mantém há muitos anos, com a participação dos poetas que participam projeto. “Sob Silêncio”, publicado pela Editora Patuá, de São Paulo, é o seu primeiro de poemas.

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