Paulo Markun conversa com leitores na Feira do Livro

Escritor de 'Meu Querido Vlado' é o convidado de hoje do evento realizado no Hangar, em Belém


Por: O Liberal Em 30 de maio, 2016 - 08h08 - Dicas: livro e DVD

Foto: Alberto Bitar

Os anos de chumbo, golpe ou ditadura militar, são termos que marcaram o cenário político do Brasil de 1964 a 1985. Nesses 21 anos, o país vivenciou, de um lado a repressão militar, e de outro a reivindicação pela democracia. Estudantes, sindicalistas, escritores, jornalistas, artistas e outros intelectuais se dedicam a investigar e tornar público os detalhes que ficaram obscuros nessa história, entre eles, o jornalista e escritor Paulo Markun. Ele é convidado do Encontro Literário de hoje, no auditório Dalcídio Jurandir, às 19 horas.

Entre suas publicações estão “Brado Retumbante”, dividida em “Na Lei ou na Marra – 1964-1968” e “Farol Alto Sobre as Diretas – 1969-1984” e “Meu querido Vlado – A História de Vladimir Herzog e do Sonho de uma Geração”, que trazem aos leitores depoimentos e entrevistas de pessoas envolvidas nos movimentos políticos da época. 

Markun já esteve na Feira Pan-Amazônica do Livro em 2006, em bate-papo com leitores no espaço “Café das Letras”. Agora, para o Encontro Literário desta segunda-feira, ele vai falar sobre a reedição de dois de seus trabalhos, “apresento ‘Meu querido Vlado’, em homenagem aos 40 anos da morte do jornalista e os dois volumes da série ‘Brado Retumbante’, que conta a história do Brasil do golpe às diretas. Dois assuntos que têm grandes vínculos com a atualidade, embora falem de história”, antecipa.

Defensor da democracia, o escritor diz que é importante ter conhecimento do que se vive em um regime ditatorial. “Espero que os leitores das minhas obras tenham mais elementos para refletir sobre as diferenças entre ditadura e democracia. Em um momento como o atual, em que as expectativas da sociedade foram abaladas por escândalos, denúncias e acusações contra muitos políticos, é importante partir de uma premissa: nenhum tsunami político justifica que seja destruída a frágil democracia que estamos construindo”, afirma.

Na expectativa de retornar à capital paraense, Paulo comenta o que espera encontrar. “Belém une o gosto pelo livro, a hospitalidade, a beleza da cidade e uma culinária inesquecível. Dessa vez, a conversa acontece num momento especial do país”, diz. 

O ESCRITOR

Nascido em São Paulo, em 1952, Markun é jornalista formado desde 1971, já foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas; esteve à frente do programa Roda Viva, da TV Cultura, durante dez anos.

Em 2011 lançou o site “Brado Retumbante”, parte do projeto de mesmo nome retomado no ano anterior, com a proposta de ampliar o conhecimento do grande público sobre os fatos e acontecimentos, sobretudo a “Campanha das Diretas”, que levaram ao fim da ditadura militar no Brasil. O projeto conta também com documentário, CD e livro. Tem 13 livros publicados e mais de 30 documentários no currículo, além da criação das séries “Autor por Autor” e “Retrovisor”.

Sobre os próximos trabalhos, o autor diz que não pretende se debruçar sobre uma história em particular, como a do jornalista Herzog. “Mas no campo do audiovisual, a partir de uma ideia do advogado Marcelo Cerqueira e da juíza Andrea Pachá, talvez surja uma série falando dos amores e afetos que surgiram e cresceram nos tempos sombrios da ditadura”, revela. 



Notícias relacionadas