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Leia no editorial deste sábado (10) em O Liberal


Por: O Liberal Em 10 de setembro, 2016 - 10h10 - Editorial

Abstraiam-se as consequências do processo de impeachment, recém-concluído. Abstraiam-se os erros inaceitáveis que fizeram com que o País chegasse a essa encruzilhada política poucas vezes vistas em sua história.

Independentemente de tudo isso, o fato - incontestável, indesmentível, irretorquível - é que os dados oficiais, divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, continuam a ser verdadeiramente assustadores.

O susto que os números provocam não advém apenas da gravidade que retratam sobre a conjuntura. Advém igualmente da partidarização com que boa parte da classe política continua encarando a crise econômica.

Por que a partidarização? Porque ainda se empreende uma caça interminável a culpados. E ainda se insiste na tentativa inútil de adiar soluções porque essa ou aquela medida esbarra em sedes de vingança que o processo de impeachment produziu.

Se as lideranças políticas fizessem uma leitura mais isenta da situação econômica do País, talvez seria possível uni-las no desafio de debelar o quanto antes o desequilíbrio nas contas públicas, conforme indicam os próprios dados oficiais.

Números divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional mostram que as contas do governo tiveram déficit primário (despesas maiores do que receitas sem contar juros da dívida pública) de R$ 51,07 bilhões nos sete primeiros meses deste ano. É o pior resultado para o período de toda a série histórica, que tem início em 1997 - ou seja, em 20 anos. Até então, o maior déficit fiscal para os sete primeiros meses de um ano havia sido registrado em 2015 (-R$ 8,9 bilhões).

O aumento do rombo fiscal acontece diante do fraco desempenho da arrecadação - em decorrência do baixo nível de atividade - e da dificuldade por parte do governo em cortar gastos públicos, em um orçamento com um alto grau de vinculações.

Com recessão castigando a economia brasileira, a receita total teve queda real de 6% nos sete primeiros meses deste ano, para R$ 753 bilhões. Sem contar a inflação, houve um aumento nominal de 2,9% no período. Ao mesmo tempo, as despesas públicas totais cresceram, em termos reais, 0,8% até julho, para R$ 682 bilhões. Em termos nominais, a alta foi de 10,3%.

Somente em julho deste ano, as contas registraram um déficit primário de R$ 18,55 bilhões. Com isso, houve piora frente ao mesmo período do ano passado (-R$ 7,14 bilhões). O rombo fiscal também foi o pior, para meses de julho, desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997. Ou seja, foi o pior resultado para este mês em 20 anos.

Esse quadro não será capaz de assustar a classe política e motivá-la a agir o quanto antes para minimizar a crise?