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Pará ganha feira literária

A FLiPA, em sua primeira edição, vai reunir dez autores paraenses e o melhor de suas obras


Em 18 de outubro, 2014 - 06h06 - Magazine

ALAN BORDALLO

Da Redação

Este sábado será dedicado aos escritores, editores e leitores paraenses. Para eles foi pensada e agora é realizada a 1ª Feira Literária do Pará, a FLiPA. O encontro, que acontecerá na Livraria da Fox, se estenderá das 9H às 20h, com uma programação que incluirá encontro com dez autores locais e o lançamento do Prêmio Fox de Literatura, além da entrega do Prêmio Nobre de Literatura a Alfredo Oliveira, pelo conjunto de sua obra. A primeira edição do evento terá como patrono Jaques Flores. A realização é da Fox, em parceria com a editora Empíreo.

A Livraria da Fox já é um conhecido local de encontro dos escritores e leitores paraenses e foi lá que surgiu a ideia de criar a FLiPA. Segundo Deborah Miranda, diretora comercial e sócia do local, ao trocar ideias com os escritores Salomão Laredo e Edyr Proença, a vontade de fazer a FLiPA acontecer foi crescendo naturalmente. E, quando viram, o evento, do boca a boca, já estava até com data marcada. “Temos aqui a Feira Pan Amazônica do Livro, que é um evento grandioso, mas que deixou de ter o autor paraense como tema central. Nossa ideia é que este evento tenha foco na literatura do Estado, na nossa produção. E, mais do que isso, fazer com que a sociedade relembre nomes conhecidos das letras paraenses”, explicou Deborah.

A primeira edição da FLiPA será de aprendizado. A ideia é, a partir da experiência inaugural, aperfeiçoar o formato do evento. Neste sábado, quem for prestigiar a FLiPA encontrará dez autores paraenses reunidos. São eles: Aline Brandão, Andrei Simões, Antônio Juraci Siqueira, Bella Pinto, Edgard Proença, Edyr Augusto, Amaury Braga Dantas, Ronaldo Franco, Salomão Larêdo e Walcyr Monteiro. Pelo time se percebe uma característica na literatura, como apontou o escritor Andrei Simões. “Na literatura não existem várias gerações. Existem duas: a de quem publica e quem não publica as obras”, disse.

Andrei, que escreveu seu primeiro livro com 13 anos de idade, entrou para a primeira geração apenas em 2005, quando tinha 28 anos e lançou, nacionalmente, a novela “Putrefação”, pela editora Novo Século. Hoje ele tem também um romance publicado, intitulado “Zon, o Rei do Nada”, lançado no ano passado pela editora Empíreo. Sua carreira como escritor ele construiu com a ajuda de uma ferramenta antes apontada como “inimiga” do livro tradicional: a Internet. “As mídias se adaptam. Assim como a TV não destruiu o rádio, a Internet e os livros virtuais não acabaram com os livros físicos. Houve perdas de usuários aqui e ali, mas o natural é se adaptar para a mídia que melhor convier”, disse Andrei.

Ele conta que, antes de publicar fisicamente suas obras, participou de projetos online em que lançou livros virtuais, fez parte de projetos artísticos, escreveu em portais. “Até que me senti apto a publicar em papel”, lembra. Uma das coisas que adiou sua entrada no mercado editorial foi a dificuldade em relação à distribuição das obras. “A questão geográfica pesa muito. Mas outro empecilho é o de reformar o cenário literário paraense. O escritor, normalmente, não congrega com outros colegas. Até porque o ofício é solitário”, disse.

Para Salomão Laredo, que tem 39 trabalhos reeditados e vários outros produzidos, a perseverança é o segredo do ofício de escritor. “Digo sempre aos meus colegas que a musa da literatura nos testa. Ela é muito exigente. E se fores mesmo escritor, vais superar todas as dificuldades. Inclusive as do tempo. Podem passar vários anos, mas você vai continuar produzindo e batalhando para ser publicado”, garantiu. Salomão diz ainda que a dificuldade em se publicar é comum aos escritores do Brasil inteiro. E aponta o baixo número de leitores como o principal empecilho no Pará. “Aqui temos um número menor de leitores, menos livrarias. E também menos pessoas conhecem o autor local. Por isso precisamos de eventos desse tipo. A FLiPA é muito importante por focar o autor local. A literatura paraense precisa ser valorizada”, disse.

E a valorização começa por reconhecer o valor histórico de mestres do passado. Por isso a 1ª edição da FLiPA terá como Patrono o escritor Jaques Flores, pseudônimo de Luiz Teixeira Gomes, membro da Academia Paraense de Letras desde 1946, na cadeira de nº 40. Autor de obra poética reunida em dois livros “Berimbau e Gaita”, de 1925, e “Cuia Pitinga”, de 1936. E para fomentar a produção local, o evento lança ainda o Prêmio Fox de Literatura, concedido ao escritor paraense ou que exerça essa atividade no Pará, que nunca tenha tido seus trabalhos editados e publicados em qualquer suporte, plataforma, mídia ou meio. O regulamento será divulgado durante o evento.

Serviço

Programação 1ª Edição FLiPA 2014. 

Manhã

9h - Sessão de Autógrafos / Exposição do material sobre Jaques Flores 

10h - Lançamento do Livro ABAÚNA e outros poemas de Aline Brandão

Tarde

16h - Abertura Oficial 

16h30 - Jaques Flores 

17h - Garapa Literária 

19h - Entrega do Prêmio Nobre de Literatura

 Lançamento do Prêmio FOX de Literatura

 Sessão de Autógrafos

 Encerramento

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