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Os ecos das ruas

É alentador assim ouvir o presidente da República


Por: Agência Brasil Em 29 de novembro, 2016 - 09h09 - Editorial

Nos últimos anos - e ponham anos nisso -, a classe política tem se mantido divorciada das ruas. A consequência mais visível e dramática de tal constatação foram as jornadas de junho de 2013, quando milhares de pessoas foram às ruas de centenas de cidades do País, protestar contra a corrupção e exigir mudanças.

É alentador assim ouvir o presidente da República, ao lado dos dirigentes das duas Casas do Congresso Nacional, anunciando acordo para barrar qualquer proposta que venha a ser apresentada, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, com o propósito de aprovar uma anistia a políticos que cometeram o crime de caixa dois em suas campanhas eleitorais.

O anúncio do presidente Michel Temer foi feito durante entrevista coletiva, convocada inusualmente para uma noite de domingo, com as presenças do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que respectivamente presidem o Senado e a Câmara.

Durante a coletiva, eles asseguraram que não há espaço para permitir que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro sejam anistiados a partir do texto que tipifica o caixa dois nas campanhas. “Queremos fazer uma comunicação, por termos feito, o Executivo e o Legislativo, um ajustamento institucional com vistas a, se for possível, impedir a tramitação de qualquer proposta que vise à chamada anistia. Esse ajustamento institucional que estamos fazendo tem sido a regra da nossa conduta. Conversamos com Rodrigo e Renan sobre isso e acordamos não patrocinar essa proposta. Isso desestimula qualquer movimento na Câmara e no Senado com vistas à tramitação dessa matéria”, explicou o presidente.

Ele reforçou que seria “impossível” sancionar qualquer tipo de anistia. Destacou ainda que essa é uma reivindicação da sociedade. “No tocante à anistia, há uma unanimidade dos dirigentes do Executivo e daqueles do Legislativo. Conversamos muito nos últimos dias e entendemos que é preciso atender à reivindicação que vem das ruas; o poder é do povo e, quando o povo se manifesta, a audiência há que ser tomada pelo Executivo e Legislativo. Estamos assistindo novamente ao movimento das ruas. Essa não é exatamente uma questão de governo. É uma questão da sociedade, tem que ser versada pelo Legislativo, mas eventualmente exige ação do Executivo”, disse o presidente.

Se a proposta da anistia for aprovada e enviada ao Palácio do Planalto, Temer adiantou: “Nesse caso da anistia, em dado momento viria para a Presidência vetar ou não. Já disse na sexta-feira, em comentário: é impossível sancionar matéria dessa natureza”, avisou o presidente.

Menos mal que as vozes das ruas começam a ser ouvidas.