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Onde estão os bombeiros?

Crise políticas, quando se apresentam graves, fazem sobressair não apenas os incendiários


Por: O Liberal Em 07 de dezembro, 2016 - 08h08 - Editorial

Crise políticas, quando se apresentam graves, fazem sobressair não apenas os incendiários, mas os bombeiros.

Em crises políticas graves, como a que o Brasil enfrenta neste momento, há incendiários de sobra. Eles têm, inclusive, nome e sobrenome, detêm largos poderes que as leis e a Constituição lhes atribuem e seus partidos são sobejamente conhecidos. Mas, e os bombeiros, onde se encontram?

Não temos visto, pelo menos até agora, bombeiros para arrefecer esta crise. Não se encontra absolutamente ninguém, com liderança suficiente e com estofo ético perceptível e amplamente reconhecido, para levantar a voz, colocar propostas alternativas na mesa, chamar os incendiários para o debate e tentar demovê-los de suas perigosíssimas intenções de jogar mais gasolina na crise e depois acender o fósforo.

Políticos moderados e sensatos? Sim, eles existem. Políticos com espírito público e condições morais respeitáveis? Sim, eles existem. Porque a classe política não é feita apenas de corruptos, propineiros e bandidos, como muita gente pensa. Ao contrário, há políticos do bem que precisam ser ouvidos.

Mas onde eles estão? Por que se escondem? Por que se limitam à condição de coadjuvantes? Por que não exercem uma postura mais assertiva, mais ousada - uma ousadia que deixe de lado os personalismos e exibicionismos, para dar preferência à sobriedade e racionalidade que devem orientar os posicionamentos de quem pode jogar água na fervura da crise?

Já tivemos o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados, antes mesmo que ele viesse a ter o mandato cassado pelo plenário da Casa. Agora, temos nova decisão, expedida em caráter liminar pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandando afastar Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado.

Mas a Mesa Diretora do Senado reuniu-se e decidiu que irá aguardar a deliberação do plenário do Supremo, que poderá ser conhecida durante a sessão de hoje, para só então deliberar se cumpre ou não liminar que mandou afastar o senador alagoano do comando da Casa.

Senadores que participaram da reunião da Mesa disseram que o senador acredita ter respaldo jurídico suficiente para não assinar a intimação sobre a liminar do Supremo que determina seu afastamento.

A Mesa do Senado está mesmo certa de que está fazendo o certo? Nem sequer desconfia que poderá estar contrariando a velha máxima de que decisões judiciais precisam ser cumpridas de qualquer maneira, ainda que delas se discorde e que estejam passíveis de reforma?

Onde estão, repita-se, os bombeiros que nesta hora poderiam jogar água na fervura desta crise?