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Olimpíadas: lances do jogo político


Por: O Liberal Em 07 de agosto, 2016 - 09h09 - Editorial

Durante os jogos olímpicos a atenção de toda a população estará voltara para a telinha da televisão. A programação é diversificada, a mais variada possível, para todos os esportes, todos os gostos, um espetáculo em imagens digitais que retrata a tentativa humana de superar limites do próprio físico.

Além disso, o espírito olímpico pode bem ser resumido na própria festa de abertura, um exemplo de congraçamento entre os povos, de alegria, graça e diversão, a imagem do “bem”, que contrasta com o “mal”, a violência, os atentatos suicidas do Estado Islâmico e a insegurança marca registrada da própria cidade-sede dos Jogos Olímpicos.

Esse maniqueísmo, que desvia todas as preocupações, vela uma crise política sem precedentes no País, que nos bastidores da Olimpíada corre para a consolidação do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff ainda neste mês de agosto.

Enquanto a população se “diverte” no mundo mágico do esporte, a realidade é desdobrada em atos cênicos, em lances tal qual jogo de xadrez, em que os atores preparam o último capítulo de uma novela sem precedentes.

Dessa vez não será somente o futebol a desviar a atenção, por exemplo, do parecer do Ministério Público Federal que afirma, com todas as letras, que o ex-presidente Lula teve participação ativa no esquema de corrupção na Petrobras.

Ou que o presidente Temer enfrenta dificuldades de ordem política para consolidar seu poder, diante da militância petista mortalmente ferida.

Prova de que os bastidores estão em ação, e que o jogo político se confunde com o jogo olímpico, foi a retirada proposital do anúncio da presença do presidente interino Michel Temer na abertura dos jogos com o claro objetivo de evitar vaias.

Talvez seja por isso que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) esteja movendo as peças do tabuleiro para antecipar a votação do impeachment de Dilma Rousseff, ou que o ex-presidente Lula tenha recorrido à Organização dos Estados Americanos (OEA) na tentativa de escapar da caneta do juiz Sérgio Moro.

Entre tantos lances, sejam olímpicos ou políticos, o Brasil busca a vitória, pois nunca antes na história desse país viam-se tantos peixes graúdos na cadeia, ou repatriou-se tanto dinheiro desviado pelo ralo da corrupção para paraísos fiscais.

Ao final e ao cabo, espera-se que o país conquiste medalhas - sejam de ouro, prata ou bronze nos esportes olímpicos, seja do orgulho no peito em defesa da moralidade da coisa pública. Que as Olimpíadas não sirvam somente para entreter o público e velar interesses obscuros, mas que possa o País, ao término de todo esse processo hercúleo de transformação política, sair vitorioso, ao expor pela primeira vez quem, de fato, são os jogadores que sempre manipularam o jogo político sem serem incomodados.

E neste jogo, o árbitro, certamente, seremos todos nós, causa primeira e fim último da própria existência do Estado como representante de nossas aspirações. Que essa medalha premie o esforço de homens probos e que aqueles que dispensam apresentação, como tantos outros condenados na Operação Lava Jato, sejam finalmente derrotados.