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O recesso da crise

Os Jogos Olímpicos no Brasil começam, enfim, nesta semana


Por: O Liberal Em 31 de julho, 2016 - 08h08 - Editorial

Os Jogos Olímpicos no Brasil começam, enfim, nesta semana. O sonho tornou-se realidade, mas, infelizmente, corre o risco de tornar-se pesadelo, tal qual o ouro olímpico no futebol, que o Brasil tanto persegue e nunca consegue.

Mas o que deu errado na trajetória desses Jogos no Brasil? Verifica-se, a partir dos últimos episódios registrados na Vila Olímpica, que a escolha do país, ainda no governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, tratou-se de uma jogada política, como foi a Copa do Mundo, quando o governo Dilma já estava chamuscado e a ex-presidente não escapou de vaias.

Na situação atual, em que o país encontra-se politicamente em frangalhos, governado por um presidente interino e tendo que lidar diariamente com escândalos que envolvem membros das mais altas casas legislativas, as realização dos Jogos acabou por dar ainda mais visibilidade a essas mazelas para o mundo.

Às vésperas do início das Olimpíadas, a imagem do Brasil vem sendo sucessivamente arranhada por erros primários de falta de planejamento, como a entrega de apartamentos com vazamentos e uma série de outros defeitos, na Vila Olímpica, o que fez com que a delegação australiana se recusasse a ocupá-los.

A própria Baía da Guanarara, onde serão realizadas competições de vela, preocupa os brasileiros, pois está tomada pelo lixo, um lixo submerso que aos poucos vem à tona, tal qual o lixo político que a Operação Lava Jato tenta jogar pelo ralo.

Se na política quase nada anda bem, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou ontem uma premiação em dinheiro de R$ 35 mil para quem conquistar medalha em esportes individuais, independentemente da cor da medalha - se ouro, prata ou bronze. Nos esportes coletivos, o prêmio será de R$ 17,5 mil para cada atleta. Um alento, mas nada que possa se comparar a um apoio efetivo, real e irrestrito durante toda a fase de preparação desses atletas. A premiação será bancada por patrocinadores privados.

E a população brasileira está preparada para uma Olimpíada? Seria essa realmente uma necessidade diante da crise política e econômica por que passa o Brasil?

Um fato é certo: se a Olimpíada não pegou no resto do país, pelo menos o Rio de Janeiro não tem do que reclamar, com lotação esgotada de hotéis e grande movimentação turítisca, numa cidade que já está habituada a grandes eventos, da mesma forma que está habituada a declarações estapafúrdias do prefeito Eduardo Paes, que, vira e mexe, apronta uma nova. E não se pode esquecer que foi o próprio Eduardo Paes que chamuscou a imagem do Brasil lá foram ao declarar à rede americana CNN que o governo do Estado do Rio estava fazendo um "trabalho terrível" na área de segurança.

Uma coisa, no entanto, é certa: mais uma vez, o país vai parar por cerca de 20 dias. A crise vai estancar, mas não por muito tempo. E mesmo enquanto rolam os Jogos, alguns políticos citados em delações premiadas da Lava Jato, com certeza, terão motivos de sobra para perder o espírito esportivo. É esperar pra ver.