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O PT e Lula, do céu a ao inferno

Leia no editorial de O Liberal deste domingo (16)


Por: O Liberal Em 16 de outubro, 2016 - 07h07 - Editorial

A crise no Partido dos Trabalhadores parece não ter fim. Não bastasse o impeachment da presidente Dilma Rousseff e das ações na Justiça que recentemente tornaram o ex-presidente Lula réu pela terceira vez na Operação Lava Jato, o partido se vê em maus lençóis para lançar candidato às eleições presidenciais de 2018 e já cogita aliar-se a um candidato de outro partido, dentro de uma ampla frente de esquerda.

A questão, no entanto, é que a imagem do partido passa por um processo de desgaste, visto que até políticos da legenda omitem propositalmente a sigla ou as cores partidárias para escapar a qualquer ligação com os escândalos políticos que envolvem o partido em falcatruas e negociatas de toda sorte, seja no mensalão, petrolão ou outros esquemas de corrupção, com a negociação e venda de medidas provisórias, tráfico de influência, pagamento de propinas e benesses, inclusive para o mais alto representante do partido: o ex-presidente Lula.

Desde a sua fundação, na década de 80, advindo dos movimentos populares e eclesiais de base, o PT chegou longe e - quem sabe?- até longe demais, indo rapidamente do céu ao inferno. Nos tempos de glória, no entanto, atraiu para as suas hostes todo tipo de parlamentares, muitos dos quais hoje seriam rechaçados pela base que edificou seus pilares.

Depois de duas derrotas sucessivas de Lula para FCH, o partido capitulou às alianças, muitas das quais se arrepende amargamente, como a que fez com o PMDB até pouco tempo. O resultado das últimas eleições demonstra claramente a reprovação pública que sofre a legenda e o grau de dificuldade que terá que enfrentar para se soerguer, daí a busca por um nome que possa aglutinar em torno de si uma composição com vistas à retomada do poder, costurada pelo ex-presidente Lula.

Segundo o presidente do PT de São Paulo, Paulo Fiorilo, esta é uma hipótese, mas “ainda cedo” para discutir. O fato é que o partido, que já foi o fiel da balança, hoje está praticamente alijado de processos sucessivos municipais devido ao enfraquecimento do seu capital eleitoral, como no caso da eleição para a Prefeitura de Belém. Há também candidatos que, no auge do lulismo, transformaram a militância partidária quase numa religião e hoje não conseguem se descolar dessa imagem, prejudicando uma nova empreitada política, dita mais racional, menos radical, mas talvez inviável diante da imagem construída pelo próprio candidato junto ao eleitorado.

Se o eleitor está descrente na possibilidade de mudanças no e pelo PT – tal qual a própria cúpula do partido - resta saber em quem o eleitor irá confiar, na esperança de um governo verdadeiramente do povo, pelo povo e para o povo, não crendo mais em meras promessas que levam de nada para lugar nenhum. Se a briga entre posições demanda ângulos – seja de direita ou esquerda – a população dessa vez mira mais alto e espera apenas que, independentemente de referenciais ideológicos, tenha suas prioridades atendidas, pois isto – e apenas isto – é o que verdadeiramente importa.