Mais Acessadas

Investigações frustrantes

A administração do futebol brasileiro é uma caixa preta que precisa ser arrombada


Por: O Liberal Em 15 de agosto, 2016 - 08h08 - Editorial

A administração do futebol brasileiro é uma caixa preta que precisa ser arrombada.

Arrombá-la é uma imposição moral porque não se pode admitir que pouquíssimos personagens se regalem com benefícios espúrios, chancelados por práticas igualmente espúrias.

A Câmara dos Deputados - viva ela! - também acha que o futebol brasileiro é uma caixa preta que precisa ser arrombada. E tentou arrombá-la com uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, emblematicamente, foi chamada de CPI da Máfia do Futebol.

Como admitir, todavia, que o Poder Legislativo encerre investigações sem votar o relatório final? Como avaliar a frustração de todos aqueles que aguardam há décadas por uma assepsia da administração do futebol brasileiro, mas se deparam com investigações concluídas sem o documento final?

É tolerável que se gaste dinheiro público para investigar atividades que os próprios deputados comparam às de mafiosos, mas não se vote o necessário relatório que deveria servir de balizamento para ações concretas que deveriam ser propostas para corrigir os erros detectados e evitar a continuidade de eventuais ilícitos comprovados?

Essas questões são pertinentes diante do espanto de ter a CPI da Máfia do Futebol, após quatro meses de trabalho, ter encerrado suas investigações sem votar o relatório final.

A comissão recebeu diversas denúncias que, segundo o relator, deputado Fernando Monteiro (PP-PE), mostram que as práticas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) privilegiam relações pessoais em detrimento de critérios técnicos de contratação e incentivam propinas e subornos, prejudicando toda a cadeia futebolística brasileira. Mas por que não foi votado o relatório?

“Nós tivemos uma comissão parlamentar de inquérito instalada por 120 dias corridos. Nesse meio tempo, houve a discussão do impeachment da presidente Dilma Roussef, que tomou todas as atenções do Congresso Nacional; o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha; e depois esse chamado recesso branco de 15 dias que ocorreu agora no mês de julho. Tudo isso terminou por prejudicar o andamento da CPI. Houve sessões em que não havia quórum e eu tive que abrir e encerrar essas sessões”, lamentou o presidente da comissão, deputado Laudívio Carvalho (SD-MG).

O texto do relator sugeriu dois projetos de lei. O primeiro pedia mudanças na Lei Pelé, “para tornar mais transparente e democrática a gestão nas entidades esportivas”. A segunda proposta tipifica o crime de corrupção privada, ou seja, a corrupção praticada em empresas ou entidades que não são de natureza pública.

E agora? A administração do futebol brasileiro tem tudo para continuar como sempre foi.