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Nobel da Paz ajuda acordo com as Farc e combate à cocaína

Presidente colombiano diz que ausência da guerrilha em Oslo foi questão de segurança


Por: O Globo Em 09 de dezembro, 2016 - 20h08 - Mundo

Santos fala diante de colegas do Instituto do Nobel, em Oslo - NTB SCANPIX / ReutersOslo - O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou nesta sexta-feira (09), em Oslo — onde se encontra para receber o Prêmio Nobel da Paz — que a distinção concedida a ele é um grande incentivo para obter um novo acordo com a guerrilha das Farc e iniciar um período de avanços no país. Ele veio com vítimas do conflito, mas não com representantes da guerrilha, tema que provocou questionamentos nas últimas semanas.

— Este prêmio foi como um presente dos céus e é um enorme incentivo para conseguirmos esse novo compromisso depois que o primeiro foi recusado em um referendo. O Nobel significou ainda um "mandato" da comunidade internacional para chegar a um acordo — disse Santos, em inglês,em coletiva de imprensa no Instituto Nobel de Oslo.

Santos recebe neste sábado o Nobel da Paz pelos esforços de pacificação de seu país, mergulhado em um conflito armado de mais de 50 anos e que causou 260.000 mortos. O anúncio do Nobel da paz 2016 a Santos foi feito no dia 8 de outubro, apesar da inesperada rejeição, cinco dias antes em um plebiscito, a um acordo fechado em 26 de setembro em Cartagena entre o governo e a guerrilha das Farc.

Dentro e fora da Colômbia, o prêmio foi visto como um aval ao processo de paz, apesar do revés eleitoral.

— Os cidadãos colombianos interpretaram o prêmio como se fosse um mandato da comunidade internacional para perseverar (...) e obter um acordo de paz. Para eles, ajudou muito. Me encorajou, encorajou os nossos negociadores, mas particularmente incentivou os colombianos a buscar um novo acrdo.

Santos conversa com comitê do Nobel em Oslo - NTB SCANPIX / REUTERS

A partir de então, a guerrilha e o governo decidiram manter um cessar-fogo bilateral e fazer ajustes ao acordo recusado, a partir de centenas de propostas dos setores que votaram contra.

— Pessoalmente, não pude viver um só dia de paz, e por isso o fato de que possamos viver em paz, viver uma vida normal, e não ter medo de ir a algumas regiões, vai mudar tudo — disse. — Existe um dividendo muito alto em termos da guerra às drogas e do meio ambiente.

A ausência das Farc, não premiadas nem presentes na numerosa comitiva de Santos, gerou questionamentos.

— Não queria expor o governo norueguês a problemas porque as Farc seguem estando nas listas de terroristas, e seus líderes não estão totalmente livres para ir a todos os lugares. Pensamos que não seria apropriado trazer as Farc à cerimônia. Convidei um de seus chefes negociadores (...) Estarão aqui de coração e de espírito.