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Museu Emílio Goeldi e Vale lançam estudo sobre a flora

É possível que no final de 2017 sejam catalogadas quase 10% das 7.071 espécies da flora referidas para o estado.


Por: Redação ORM News com informações da EBC Em 13 de fevereiro, 2017 - 08h08 - Amazônia

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto Tecnológico Vale (ITV) lançaram esta semana o primeiro volume sobre os estudos da vegetação da Serra de Carajás, no Pará. A publicação reúne o trabalho de 55 botânicos e mais de 22 instituições do Brasil e do exterior, que reuniram informações sobre 139 gêneros e 248 espécies da flora da região.

Foto: Carla Lima

O projeto Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil é desenvolvido desde 2015 e conta com a colaboração de 74 botânicos taxonomistas do Brasil e do exterior. Segundo o Museu Goeldi, é possível que, ao final de 2017, as pesquisas sejam responsáveis por catalogar quase 10% das 7.071 espécies da flora referidas para o estado.

No total, serão três volumes publicados na Rodriguésia, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, uma das revistas nacionais mais tradicional na área de botânica. A pesquisa também conta com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Conservação x exploração

Segundo o Museu Goeldi, na Floresta Nacional de Carajás encontra-se uma das maiores províncias minerais do mundo e também as cangas, que são ecossistemas vegetais associados a locais onde ocorrem a elevação de rochas ferruginosas. As cangas ou campos ferruginosos são encontradas em vários locais do Brasil e são conhecidas por abrigarem seres vivos muito específicos e adaptados às características desses lugares.

Entretanto, por geralmente estarem associadas às principais jazidas de ferro do país, as cangas representam desafios para a pesquisa e o planejamento que concilie a conservação da biodiversidade e a exploração dos recursos naturais.

Através do regaste e sistematização da informação, o estudo atual disponibiliza informação correta e autenticada, substituindo listas desatualizadas. Todo o material coletado desde 2015 já está incluído em banco de dados, com 8,8 mil amostras depositadas no herbário do Museu Goeldi, em Belém.

Museu Goeldi e ITV

O Museu Goeldi é a instituição mais antiga da Amazônia, fundada em 6 de outubro de 1866 e pioneira na investigação científica sobre a flora de Carajás, com a primeira expedição de coleta na região realizada em 1969. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, ele mantém 18 coleções científicas principais com mais de 4,5 milhões de itens tombados e seis programas de pós-graduação.

Já o ITV foi criado há oito anos pela Vale, que opera minas de ferro, cobre e níquel no sudeste do Pará. O instituto tem o objetivo de buscar soluções inovadoras que auxiliem o desempenho operacional da empresa respeitando o meio ambiente e as comunidades tradicionais da região.