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Programação aborda violência contra mulher

Em 2016, 6.270 mulheres foram atendidas em situação de violência, pelo Pro Paz, em todo o estado


Por: Agência Pará Em 22 de março, 2017 - 14h02 - Pará

Embora avanços tenham sido alcançados com a lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e a do feminicídio (Lei nº 13.104/15), o número de casos de violência contra a mulher ainda é alto. Em 2016, 6.270 mulheres foram atendidas em situação de violência, pelo Pro Paz, em todo o estado, um aumento de certa 26,7% em relação aos números de 2015. A maioria dos atendimentos no Pará é de violência psicológica (36,1%), seguido de violência física no ambiente doméstico e violência moral. 71% desses crimes ocorrem dentro de casa, e o marido é o principal agressor, com 21,3% das incidências, seguido de ex-companheiro (19,9%) e ex-marido (19,5%).

Com o intuito de ajudar a mudar essa realidade e alertar os perigos de não denunciar qualquer tipo de agressão, o Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC), realizou na manhã desta quarta-feira, 22, uma programação especial para mulheres do terceiro setor que são atendidas por programas governamentais. O evento reuniu cerca de 30 mulheres no auditório da Casa Civil, em Belém.

Para Abigair de Souza, 88, que faz parte da associação Nossa Senhora do Rosário, localizada em Icoaraci, essa é uma ótima oportunidade para as mulheres. “Mesmo com 88 anos continuo firme na associação fazendo trabalhos com minhas amigas. Lá podemos tirar nossa renda produzindo artesanatos, tapetes e várias outras coisas que aprendemos a fazer nos cursos oferecidos também pelo NAC”, contou.

O evento é um dos resultados da campanha estadual com o tema “Respeito às mulheres e suas diversidades”. A ação integrada é coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh); de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Segup), de Comunicação (Secom) e Pro Paz, com o objetivo de incentivar a reflexão sobre as diversas formas de violência cometidas contra as mulheres.

A programação incluiu palestra sobre o combate à violência contra a mulher com a coordenadora Estadual de Políticas para as Mulheres da Sejudh, Maria Trindade Tavares, ginástica laboral com professores de educação física da Casa Civil, momento de beleza com equipe da Mary Kay, brunch e entrega de brindes.

“É fundamental que todas as mulheres saibam que violência doméstica não se limita só a agressão física ou sexual. Em alguns casos a mulher está em uma relação abusiva e nem sabe por que desconhece que existe uma lei que ampara todo e qualquer tipo de agressão. Precisamos enfrentar essa crueldade sem medo”, informou Maria Trindade.

Para a diretora geral do NAC, Daniele Khayat, esse encontro mostrou a importância do elo que foi criado com as associações em prol das mulheres. “A violência contra a mulher ganha destaque nesse mês porque precisamos alertar vocês, que acham que estão sozinhas, quando sofrem esse tipo de violência. Então o governo estadual está nos dando essa oportunidade de estarmos juntas para aprender e levar esses ensinamentos para nossos familiares e amigos. Nós mulheres precisamos de respeito, seja no trabalho, em casa ou na rua”, concluiu.

Números

De acordo com o Mapa da Violência 2015, registraram-se 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o país no 5º lugar no ranking mundial desse tipo de crime. No Brasil, 13 mulheres são vítimas por dia de feminicídio.

Dados da Fundação Pro Paz apontam que, no período de março de 2012 a dezembro de 2016, foram atendidas 19.319 mulheres vítimas de violência nas unidades do Pro Paz Integrado, o que resultou em 96.595 encaminhamentos para diferentes tipos de assistência.

Em 2016, o serviço social do Pro Paz Mulher prestou 3.801 atendimentos, que foram desdobrados em 2.505 encaminhamentos para o setor de psicologia, 3.535 para a enfermaria e 349 atendimentos médicos. O serviço especializado é realizado integralmente por mulheres, como forma de garantir maior segurança e acolhimento para as vítimas.

A partir de 2011, o número de Delegacias da Mulher no Pará foi ampliado, passando de cinco unidades - Belém, Marabá, Santarém, Castanhal e Paragominas, para 15 já em 2014. Nesse período, além das inaugurações houve a entrada de novos policiais civis por meio de concurso público. Atualmente, todas as regiões do Pará contam com uma Delegacia da Mulher, totalizando 16 Deams.