Moradores de Marituba querem protestar na rodovia BR-316

Grupo quer retirada do aterro sanitário do município, instalado há dois anos


Por: O Liberal Em 04 de abril, 2017 - 07h07 - Região Metropolitana

Um novo bloqueio, desta vez na Rodovia BR-316, na altura da Alça Viária, está prometido para a manhã desta terça-feira (4), pelos moradores do município de Marituba. O protesto servirá para marcar a data em que completa um mês a interdição do ramal de acesso ao aterro sanitário instalado há quase dois anos na cidade - que inviabilizou a coleta de lixo em toda a Região Metropolitana de Belém durante três dias.

Segundo os organizadores, a manifestação não tem previsão de término. Mesmo impedidos por decisão judicial de bloquear o acesso ao aterro - conseguida no mês passado, pela Prefeitura de Belém, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará -, os moradores pretendem provocar um “novo impacto” na RMB. Eles alegam que, apesar das medidas de assistência social e à saúde adotadas pelo governo do Estado, não houve retorno sobre as reivindicações apresentadas, sobretudo no que se refere à retirada definitiva do lixão da área urbana. 

“A população será prejudicada de alguma forma, mas tenho certeza que não será com a mesma intensidade que estamos sofrendo aqui em Marituba, 24 horas, todos os dias”, afirmou ontem um dos líderes do movimento, Hélio Oliveira. “A medida judicial vem criminalizar o movimento, mas não garante os instrumentos favoráveis à preservação da saúde e do meio ambiente de Marituba”. 

Reunidos no Fórum Permanente Fora Lixão de Marituba, através do qual tentam conseguir o fechamento da área administrada pela empresa Guamá Tratamento de Resídios, contratada pelo consórcio das prefeituras de Belém, Ananindeua e Marituba, os moradores garantem que a população está sendo desrespeitada: “Falta transparência no acompanhamento do atendimento da nossa pauta de 21 reivindicações. Infelizmente, achamos que até agora o movimento não tem surtido efeito”, acrescentou Hélio. “Não podemos mais esperar”.

Ele reclamou que as negociações não avançaram junto ao governo do Estado e que o secretário estadual de Meio Ambiente, Luís Fernandes, ficou de coordenar uma ação envolvendo as três prefeituras e outras esferas do governo a fim de buscar uma solução e definir a data de encerramento dos serviços no município, incluindo a formação de um grupo de trabalho com a participação de representantes da comunidade, o que não ocorreu. 

Uma audiência prometida com o governador Simão Jatene também não foi marcada. “Nas audiências públicas realizadas nas câmaras de Belém, Ananindeua e Marituba, ao longo do mês passado, o secretário não compareceu a nenhuma, assim como a empresa que administra o aterro e o Ministério Pùblico do Estado”, apontou. 

Em nota, a Semas afiançou que tem vistoriado diariamente o aterro para monitorar o cumprimento de medidas ambientais capazes de minimizar os danos aos moradores e os impactos causados pela má operação do empreendimento. Disse ainda que está avaliando outras áreas possíveis de receber o aterro e consultas feitas por outros empreendimentos, inclusive com “termo de referência orientativo para fins de estudos ambientais nas áreas propostas”.