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Meia paraense do Corinthians deve carreira ao Rei da Sinuca

Giovanni Augusto revela a história do Zé Tubarão, seu primeiro 'patrocinador'


Por: ESPN Em 04 de novembro, 2016 - 18h06 - Série A

Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

A carreira de Giovanni Augusto não deu certo por causa de uma tacada de sorte. Na realidade, foram centenas ou talvez milhares de tacadas nas mesas de botecos em Benevides, no Pará. Ainda adolescente, ele tinha o sonho de ser atleta de futebol profissional, mas não tinha dinheiro para pagar as várias conduções até Belém. Foi neste período que um jogador de sinuca salvou a carreira do meia de 27 anos.

'Muitas pessoas me ajudava muito no meu bairro. Tinha um conhecido nosso que era muito viciado em sinuca, não tinha pra ninguém. Era o Zé Tubarão, ele apostava com os outros caras e o dinheiro que ganhava me dava para eu poder ir treinar', disse Giovanni, ao ESPN.com.br. 'Eu ia lá no boteco e o aguardava ganhar para poder pegar o dinheiro e ir treinar. Quando ele perdia tinha que esperar outra partida e torcer para ver se ele ganhava. Só que ele era bom demais e vencia a maioria', garantiu.

O anjo da guarda de Giovanni passava o dia inteiro ‘rapelando' os moradores da região nas mesas com caçapas de metal em jogos com bolas numeradas. 'Ele foi daqueles caras que jogou muita bola na cidade, mas não teve muitas oportunidades para ser profissional. Ele gostava de ajudar as pessoas que jogavam e tinha um carinho por mim. É um cara que devo muito'.

Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Quando não recebia uma grana de Zé Tubarão, Giovanni muitas vezes faltava aos treinos no campo do Paysandu ou priorizava o futsal, que jogava ao mesmo tempo pela Tuno Luso. 'Eram duas horas e meia até o CT. Era complicado ir todos os dias e ia para o salão porque o diretor gostava muito de mim e me dava dinheiro da passagem'.

Antes de virar profissional, o jogador ainda foi para Belo Horizonte tentar fazer testes, mas recebeu um convite para o Campeonato Brasileiro de Futsal. Ele jogou tão bem que foi chamado para voltar ao Paysandu, que iria disputar a Copa São Paulo de futebol júnior. 'Um amigo meu de lá me disse que eles precisavam de um meia. Fui lá treinar para ver se dava pra me aproveitar. Em um treino, o técnico gostou de mim e me levou para a competição'.

Na Copinha, ele se destacou e foi para o Contagem, em Minas Gerais. Depois de ir bem um amistoso contra o Atlético-MG, Giovanni foi chamado para o Galo. Depois disso, foram passagens por Náutico, Grêmio Barueri, Goiás, Criciúma, Náutico, ABC e Figueirense até chegar este ano ao Corinthians.

Foto: Geovani Velasquez/Brazil Photo Press/AE

Titular na maior parte da temporada, o meia completará 50 jogos com a camisa alvinegra no clássico contra o São Paulo no Morumbi, neste sábado, pelo Campeonato Brasileiro. 'Atingir esse número de partidas logo na primeira temporada é algo que me deixa muito feliz. Estreei no começo de fevereiro e mesmo com a lesão no tornozelo em abril, que me deixou de fora de alguns compromissos, consegui ter uma sequência de jogos e uma regularidade'.

E por onde andará o Zé Tubarão? "Ele continua lá em Benevides jogando a sinuquinha dele e ‘rapelando' a galera. Deve continuar ajudando os moleques. Quem sabe daqui uns anos não apareça um novo Giovanni Augusto?", finalizou.