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Manifestantes põem fogo no Congresso do Paraguai

Parte da oposição denuncia a medida como um "golpe parlamentar". Confrontos deixaram ao menos 12 feridos, diz agência


Por: G1 Em 31 de março, 2017 - 21h09 - Mundo

Manifestantes colocam fogo em prédio do congresso do Paraguai após senadores aprovarem emenda de reeleição (Foto: Reprodução/ Facebook/ Telefuturo)

O Senado do Paraguai, dominado por partidários do presidente Horacio Cartes, aprovou nesta sexta-feira (31) a reeleição presidencial, o que deflagrou incidentes entre opositores e a polícia. Manifestantes conseguiram entrar no prédio do Congresso. A polícia disparou balas de borracha, e os manifestantes colocaram fogo no prédio. O canal Telefuturo transmitiu a confusão em frente ao Parlamento.

No total, 25 dos 45 senadores votaram a favor da emenda que institui a reeleição. A emenda deverá ser ratificada neste sábado pela Câmara dos Deputados, também controlada pelos governistas.

Os senadores não votaram no plenário do Senado, e sim em um gabinete do Congresso, diante da resistência de legisladores da oposição contra a medida. O presidente do Senado, Roberto Acevedo, o primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Petta, e outros legisladores da oposição ocuparam o plenário da Casa para impedir a votação.

A emenda foi apoiada por opositores ligados ao ex-presidente de esquerda Fernando Lugo, mas o restante da oposição denunciou a medida como um "golpe parlamentar".

O presidente do Congresso do Paraguai, Roberto Acevedo, é visto durante confronto entre manifestantes e a polícia nesta sexta-feira (31) em frente ao prédio do Congresso (Foto: REUTERS/Jorge Adorno)

A emenda ainda deve ser votada pela Cãmara dos Deputados. Seu presidente Hugo Velázquez, disse que recebeu hoje o projeto e informou que irá votá-lo no plenário da Casa neste sábado. O presidente Cartes tem uma folgada maioria na Câmara dos Deputados, integrada por 80 legisladores.

Após ser confirmada pela Câmara dos Deputados, a emenda será submetida a um referendo nacional, no prazo de três meses, convocado pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral.

Os protestos contra a votação da medida no Senado começaram antes que ela fosse aprovada.

A aprovação provocou duros confrontos entre manifestantes opositores e a polícia de choque, que dispararam balas de borracha, lançaram gás lacrimogêneo e acionaram tanques de água. Os confrontos deixaram ao menos 12 feridos, a maioria por balas de borracha e golpes de cassetete, de acordo com a agência France Presse.

Após a aprovação da medida, os manifestantes invadiram o prédio do Congresso, que fica no centro histórico de Assunção, quebraram vidraças e colocaram nas portas do local, além de lançar pedras contra a polícia. Caminhões dos bombeiros se dirigiram ao local.

O presidente do Senado, Roberto Acevedo, o presidente do Partido Liberal, da oposição, Efrain Alegre, e o deputado Edgar Ortíz, também liberal, foram feridos durante os incidentes, denunciou o senador opositor Luis Wagner.