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Malfeitorias disseminadas

Em governos corruptos, o desvio de dinheiros públicos tende a ser prática disseminada


Por: O Liberal Em 12 de abril, 2017 - 07h07 - Editorial

Corrupção puxa corrupção. Governos corruptos não fazem estripulias apenas em um setor - seja uma secretaria, um posto de saúde, um departamento, uma fundação ou um puxadinho qualquer da administração pública. Não.

Em governos corruptos, o desvio de dinheiros públicos tende a ser prática disseminada, corrente, ampla, extensiva a todos os setores indistintamente. A diferença está em situar onde há mais corrupção ou menos corrupção. Mas todas as áreas, normalmente, estão corrompidas até o gargalo

As descobertas sobre falcatruas no governo do Rio de Janeiro, sob a gestão de Sérgio Cabral (PMDB), atualmente preso numa cela no Complexo Penitenciário de Bangu, são verdadeiramente assustadoras. Quanto mais a Polícia Federal e o Ministério Público Federal procuram malfeitorias, mais elas aparecem - fartas, abundantes, milionárias, inacreditáveis.

O mais novo veio está na Saúde do governo Cabral. Imaginava-se até agora que a roubalheira se cingisse aos contratos com empreiteiras. Mas não. A dilapidação alcançou qualquer setor em que o volume de dinheiro fosse relevante.

Em operação realizada ontem, agentes da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Receita Federal prenderam Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do governo Sérgio Cabral, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita.

A operação, que é mais um desdobramento da Lava Jato no Rio, foi batizada de “Fatura Exposta” e investiga fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). De acordo com as investigações, quando era diretor do Into, Sérgio Côrtes teria favorecido a empresa Oscar Iskin, da qual Miguel é sócio, nas licitações do órgão. Gustavo Estellita é sócio de Miguel em outras empresas e já foi gerente comercial da Oscar Iskin. A empresa é uma das maiores fornecedoras de próteses do Rio.

A operação também apura desvios na Secretaria Estadual de Saúde, com o pagamento de propina ao esquema criminoso comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. O esquema também envolveria pregões internacionais, com cobrança de propina de 10% nos contratos, nacionais e internacionais.

Segundo dados do Portal da Transparência da Unia?o e do Estado do Rio de Janeiro, entre 2007 e 2017, duas das empresas investigadas, a Oscar Iskin (de Iskin) e a e Cia. Ltda. e Levfort Come?rcio e Tecnologia Me?dica Ltda., obtiveram em contratos relacionados a? a?rea da sau?de de quase R$ 369 milhões, valor suficiente para seduzir corruptos compulsivos que destroçaram as finanças do Estado e se locupletaram criminosamente. Agora, estão sendo chamado a responder por seus crimes.

Ainda bem.