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Lula e Dilma tinham conhecimento do caixa 2, diz Odebrecht

Ainda de acordo com a denúncia, o ministro Helder Barbalho recebeu R$ 1,5 milhão da empreiteira durante sua campanha ao governo do Pará, em 2014


Por: Redação ORM News com informações do G1 Em 12 de abril, 2017 - 22h10 - Pará

Em vídeos da delação premiada liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Marcelo Odebrecht disse que os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luís Inácio Lula da Silva sabiam das doações não contabilizadas da empreiteira ao longo dos anos para as campanhas dos dois candidatos. Marcelo contou que, em 2015, levou a então presidente Dilma a quantidade total dos depósitos em caixa dois feitos pela Odebrecht, alertando que isso poderia contaminar a campanha da petista.

A denúncia aponta ainda que outra campanha também financiada pela Odebrecht foi a do então candidato ao governo do Estado do Pará em 2014, Helder Barbalho. Segundo o Ministério Público, Fernando Luiz Santos Reis e Mário Amaro da Silveira disseram em suas delações que o Ministro da Integração Nacional recebeu R$ 1,5 milhão do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht durante sua campanha, pago em três parcelas. O candidato Helder Barbalho perdeu a eleição de 2014 para Simão Jatene.

O ministro figura na lista do propinoduto da Odebrecht com o apelido "Cavanhaque". De acordo com a Procuradoria, os repasses a Helder Barbalho foram feitos como "contrapartida a interesses do grupo Odebrecht no Estado do Pará, notadamente na área de saneamento básico, espaço em que a empresa almejava atuar como concessionária". 

Os valores, sustenta a Procuradoria com base nas delações dos executivos da Odebrecht, foram solicitados pelo próprio Helder Barbalho e também pelo senador Paulo Rocha, que também é alvo do pedido de investigação. O inquérito, registrado sob o número 4.449, foi autorizado pelo ministro Fachin a 4 de abril.

Os alvos da abertura de inquérito determinada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), são parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao STF, com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no Supremo. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff não aparecem nesse conjunto porque não possuem mais foro especial.