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Lideranças partidárias no Congresso, tanto as governistas co

Divergir é salutar, mas adotar posturas excludentes, não. Sobretudo em relação a reformas


Por: O Liberal Em 28 de setembro, 2016 - 07h07 - Editorial

Lideranças partidárias no Congresso, tanto as governistas como as oposicionistas, mostram-se agastadas com aquilo a que chamam de “perda da capacidade de negociação” em torno de temas polêmicos, como as reformas política, trabalhista e da Previdência Social.

“Perda da capacidade de negociação” é o resumo, digamos assim, de outras “perdas”: da capacidade de ouvir, de avaliar o que é melhor para o País, de minimizar os radicalismos e de ceder em alguns pontos para ganhar em outros.

E nessa toada ninguém anda, ninguém delibera e nem vota. O Legislativo, casa das divergências, torna-se em verdade uma casa de intolerâncias. Porque divergir é salutar, mas adotar posturas excludentes, não.

Há segmentos no Congresso, no entanto, que ainda não se deram conta. Não se importam em avaliar pontos de concordância comuns e, a partir deles, estabelecer parâmetros de negociação efetivos sobre questões que apenas aparentemente são inegociáveis.

Inegociáveis mesmo são alguns princípios éticos. Esses sim, jamais deveriam ser flexibilizados sob a desculpa - não confessada, mas implícita - de que as bases de apoio parlamentar precisam ser alimentadas pela disputa de cargos distribuídos entre partidos.

Critérios assim tão subjetivos e carregados de um sentido político dos mais desprezíveis, ou politiqueiros, visam sempre o periférico e relegam a segundo plano o essencial: a necessidade de promover reformas urgentes.

A reforma política, por exemplo: há quanto tempo se fala nela, neste governo e em anteriores? Quantas vezes já não se ouviram lideranças partidárias considerá-las fundamentais? Em quantas oportunidades a sociedade já não ouviu promessas de candidatos que, em campanhas eleitorais, prometem pugnar por mudanças no sistema partidário, mas nunca fazem nada, além de culpar adversários e acusá-los de boicotar as mudanças que em tese teriam a concordância de todos?

E a reforma da Previdência? Há quase unanimidade geral atestando que o atual sistema, da forma que está funcionando, mantém-se perfeitamente talhado para se tornar inviável em pouquíssimo tempo, diante da constatação de que o número de trabalhadores na ativa não será capaz de sustentar os que entram para a inatividade, num País em que a expectativa de vida, felizmente, está crescendo cada vez mais.

Dessa constatação, todavia, não surge nenhum indício, nenhum sinal de propostas viáveis para adequar novas realidades à capacidade do Estado brasileiro de bancar o sistema previdenciário em nível satisfatório.

E assim caminha o Congresso, sem perspectivas para efetivar medidas imprescindíveis, e urgentes, para ajudar o País a vencer essa crise.