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Lições perenes

Leia no editorial desta sexta-feira (07) em O Liberal


Por: O Liberal Em 07 de outubro, 2016 - 09h09 - Editorial

Lições oferecidas por homens públicos não têm idade nem prazo de validade. São permanentes, eternas, perenes. E assim o são porque os valores que estão indestrutivelmente imbricados em seus significados também não possuem qualquer prazo de validade.

Ulysses Guimarães foi uma das maiores lideranças políticas que o Brasil produziu depois do regime militar instaurado em 1964.

O auge da vida pública de Ulysses Guimarães registrou-se na Assembleia Nacional Constituinte, que ele presidiu e promulgou a Constituição Cidadã de 1988. Ontem, o deputado completaria 100 anos. E o mundo virtual encheu-se de referências, citações, transcrições e comentários sobre alguns dos ensinamentos morais que o Ulysses deixou e que permanecem perenes.

Anotem-se trechos de seu discurso quando a Constituição foi promulgada, em setembro de 1988: “Tem significado de diagnóstico a Constituição ter alargado o exercício da democracia. É o clarim da soberania popular e direta tocando no umbral da Constituição para ordenar o avanço no campo das necessidades sociais. O povo passou a ter a iniciativa de leis. Mais do que isso, o povo é o superlegislador habilitado a rejeitar pelo referendo os projetos aprovados pelo Parlamento. A vida pública brasileira será também fiscalizada pelos cidadãos. Do Presidente da República ao prefeito, do senador ao vereador. A moral é o cerne da pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune toma nas mãos de demagogos que a pretexto de salvá-la a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.”

De outra feita, ensinou Ulysses Guimarães: “O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor, da natureza, do próprio homem, do poder. Se o poder fosse corruptor, seria maldito e proscrito, o que acarretaria a anarquia.”

Também afirmou o que para muitos virou uma sentença, uma máxima de cabeceira: “Uma pessoa 99% honesta é 100% desonesta, porque não existe honestidade relativa”.

A corrupção é o cupim da República. Sim, depois que Ulysses se foi, num acidente de helicóptero em 1992, a corrupção continuou a ser o cupim da República. Um cupim que, felizmente, o País está disposto a exterminar.

O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. Sim, está aí esse petrolão, cheio de personagens que, sentindo-se todo-poderosos, corromperam-se e desvirtuaram o poder de que estavam investidos.

Uma pessoa 99% honesta é 100% desonesta. Sim, porque não há corrupçãozinha e nem corrupçãozona. Existe corrupção.

Por isso é que as lições de Ulysses Guimarães são perenes.