Mais Acessadas

Lava Jato: o fim do 'rouba, mas faz'


Por: O Liberal Em 13 de novembro, 2016 - 09h09 - Editorial

A Operação Lava Jato, como sugere o próprio nome, tem passado o país a limpo, como nunca antes na história desse país, como diria o ex-presidente Lula, um dos alvos das investigações do juiz da 1ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, responsável pela força-tarefa que já colocou empresários e políticos na cadeia.

O esquema formado na base da maior empresa estatal brasileira, a Petrobras, perpetuava-se como fonte de enriquecimento ilícito para políticos, que recebiam propina em troca de apoio e contratos públicos para empresas, um conluio imoral que durante muito tempo vigorou no país, em sucessivos governos.

As investigações dos procuradores, em conjunto com a Polícia Federal, teve um impacto tão positivo no exterior que o próprio juiz foi considerado uma das pessoas mais influentes do mundo, de acordo com o ranking de uma revista internacional.

Graças ao trabalho desenvolvido, foi possível localizar dinheiro no exterior e repatriar grande parte dos recursos que haviam sido desviados, precisamente localizados mediante informações dos próprios envolvidos, beneficiados pelo instituto da delação premiada, que reduz a pena do réu que colabora com as investigações. 

A repercusão da Lava Jato tem sido tão positiva que levou, inclusive, a Suíça a colocar seus bancos no alvo de processos criminais por corrupção e lavagem de dinheiro, uma vez que os bancos daquele país eram muitas vezes o destino

do dinheiro desviado do Brasil.

O trabalho conjunto entre os investigadores brasileiros e suíços possibilitou a descoberta de mais de mil contas com movimentações suspeitas de dinheiro de origem brasileira. A exemplo do Ministério Público Federal, no Brasil, o MP da Suíça partiu para o ataque contra a sonegação com a participação de banqueiros e operadores suíços, que facilitavam a vida dos meliantes brasileiros.

A expectativa, agora, é que os próprios bancos suíços denunciem ao governo brasileiro os clientes que apresentem movimentações financeiras suspeitas ou pelo menos se recusem a abrir contas sem comprovação da origem lícita dos recursos depositados, o que antes não acontecia. 

A parceria ocorre justamente no momento em que a Odebrecht, uma das maiores construtoras brasileiras, negocia uma delação com a Lava Jato para revelar como participou do esquema de formação de cartel e corrupção na Petrobrás e trata de um acordo de leniência, aceitando pagar uma multa que pode chegar até R$ 6 bilhões.

A operação identificou um total de 800 milhões de dólares em dinheiro sujo, depositados em 42 bancos suíços, depois congelados pelo governo daquele país. Desde que começaram as investigações sobre corrupção na Petrobrás, em 2014, 25 bancos suíços já foram citados como participantes do esquema. 

Foi justamente em um desses bancos, o Julius Bär, por exemplo, que o governo brasileiro encontrou dinheiro do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba. A estratégia dos dois países é que não apenas funcionários de bancos - que pelas leis suíças eram os únicos que poderiam responder criminalmente por corrupção e lavagem de dinheiro -, mas também as instituições financeiras envolvidas nas falcatruas sejam passíveis de processo e condenação judicial. 

Se a relação internacional entre Brasil e Suíça no que tange a desvios de dinheiro chegou um dia ser “institucionalizada”, agora será sinônimo de punição. E não se espantem se forem encontrados dinheiros de políticos brasileiros famosos na arte de surrupiar a coisa pública, pois tudo o que lhes resta, na maior cara de pau, é negar. Mas a população não acredita mais no tipo de política do “rouba, mas faz”. Hoje, quem quiser ter votos, tem que fazer... Roubar, jamais!.