Mais Acessadas

Julgamento e o golpe

A presença da presidente afastada no plenário do Senado, hoje, confirma que não há golpe


Por: O Liberal Em 29 de agosto, 2016 - 07h07 - Editorial

OBrasil inteiro – e o mundo, por extensão – acorda hoje com os olhos postos no plenário do Senado, para ouvir o que a presidente afastada, Dilma Rousseff, tem a dizer sobre acusações que deram ensejo à abertura de um processo de impeachment contra ela.

O processo, em si, não é inédito. O País já assistiu a esse mesmo filme no início da década de 1990. Inédito é uma presidente da República comparecer ao Senado, pessoalmente, no pleno exercício de todos os direitos que a Constituição e as leis lhe asseguram, para defender sua inocência e dispor-se a ouvir as perguntas de quantos senadores queiram fazê-las.

A presidente da República é culpada ou inocente das acusações formuladas na ação que começou a tramitar no Congresso ainda no primeiro trimestre deste ano? A essa pergunta, deixemos que os senadores, juízes no processo, proclamem seus vereditos. Ele são - ao menos legalmente - competentes para fazê-lo e estão, a essa altura do processo, devidamente instruídos em relação a todos os elementos necessários para formar convicção.

O processo de impeachment foi um golpe? A essa pergunta, parece não haver mais dúvidas: falar em golpe não passa de conversa fiada, de alheamento da realidade, de um exercício de ficção, de exacerbação verbal para negar obviedades. Não passa, enfim, de uma mentira das mais deslavadas.

Sabem que inexiste o alegado golpe tanto as lideranças que defendem a presidente da República como militantes partidários que estão mobilizados nas ruas, para defender a honorabilidade da presidente e sustentar que não veem motivos para que ela seja afastada definitivamente do cargo.

Se sabem, no entanto, que não há golpe nenhum, por que os aliados da presidente insistem nessa tese estapafúrdia? Porque acreditam, erroneamente, que conseguirão empolgar boa parte da opinião pública que ainda se mostra reticente, hesitante, em dúvida sobre se o afastamento definitivo é a melhor solução para a crise política que assola o País.

E tanto prova que essa estratégia foi errada que a própria presidente afastada, ao decidir defender-se pessoalmente no Senado, encarrega-se definitivamente de desfazer a ideia do golpe. Se aceita comparecer ao plenário, ela chancela a legitimidade de todo o processo, ainda que, evidentemente, tenha o mais cristalino direito de contestar, uma por uma, todas as acusações presentes na ação de impeachment que tramita no Congresso Nacional.

O que se espera da sessão de hoje? Respeito às regras regimentais e democráticas. Respeito à Constituição. Respeito às leis. Aliás, reconheça-se com justiça que o Congresso jamais se desviou um milímetro da legalidade. Que continue assim, portanto.