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Jovens brigam em via pública

Rojões e pedras foram usados pelas cinquenta pessoas


Em 22 de janeiro, 2016 - 01h30 - Polícia

Psicóloga desiste de registrar um boletim de ocorrência

Uma briga entre aproximadamente 50 jovens ligados às escolas estaduais Dom Pedro I e Jarbas Passarinho ocorreu no final da tarde de ontem, na avenida Romulo Maiorana, no bairro do Marco, em Belém. Os grupos dispararam rojões e jogaram pedras entre si. Moradores da área relataram que pelo menos dois carros foram danificados durante o confronto. Também houve relatos sobre o uso de arma de fogo durante a briga, o que não foi confirmado. Os transeuntes e até um grupo de garis que fazia a poda dos canteiros da via paralisaram as atividades e tentaram se esconder. Foi necessária a intervenção da Polícia Militar. Não houve notícia de que alguém tenha sido ferido durante a confusão.

A briga começou na travessa Perebebuí, entre as avenidas Romulo Maiorana e Almirante Barroso, distante um quarteirão de uma delegacia e dois quarteirões e meio de um quartel da PM. Os transeuntes e moradores da área viram os dois grupos se enfrentando com rojões e pedras grandes. Um grupo correu para a avenida Romulo Maiorana, enquanto era perseguido e alvejado. Os grupos seguiram brigando pelo meio da via até a travessa Pirajá, onde houve a intervenção dos militares da Companhia Independente de Policiamento Escolar (Cipoe), com o apoio da Ronda Tática Metropolitana (Rotam). Apenas 14 jovens foram interceptados, entre eles três adolescentes. Eles foram mantidos sentados na calçada do Bosque Rodrigues Alves por aproximadamente meia hora, mas depois foram liberados.

Um dos jovens que estava na briga, de 18 anos, que pediu para não ser identificado, disse que reside no bairro do Bengui e que foi até a Perebebuí para se reunir com amigos que são alunos e ex-alunos da escola Dom Pedro I. Ele não explicou o motivo do encontro. Segundo ele, os alunos da Jarbas Passarinho surgiram atirando rojões contra eles. “Eu não ia correr. Tive que revidar também. Eu nunca estudei nesses colégios, mas eu estava junto”, afirmou. Ao lado dele, sentado na calçada do Bosque Rodrigues Alves, estava um adolescente de apenas 14 anos, que confirmou ser aluno novato da escola Jarbas Passarinho. Ele não falou sobre a briga.

“Dois deles (que brigavam) chegaram de motocicleta. Eles estacionaram (na avenida Romulo Maiorana) e foram a pé para a Perebebuí. Essa rivalidade é antiga”, disse um gari que suspendeu o trabalho e se posicionou atrás da caçamba de coleta de lixo para se proteger. “É uma briga no centro da cidade, perto de um quartel e de uma delegacia. Um absurdo”, acrescentou. A mãe de uma aluna da Jarbas Passarinho, Ivana Matos, tinha ido ao estabelecimento buscar a filha quando começou a confusão. Com medo, ela permaneceu dentro da escola, esperando a briga acabar. 

Psicóloga desiste de registrar um boletim de ocorrência

“Quando a gente escuta rojões, já sabe que é briga de estudantes”, contou um aluno da Jarbas Passarinho, que pediu para não ser identificado. Outra aluna disse que a turma dela estava na sala de aula, fazendo um trabalho, quando ouviu a briga do lado de fora. “A briga começou no futebol. Eles estavam jogando na Uepa (Universidade do Estado do Pará). Só sei isso. Não sei o motivo”. “Essa rivalidade existe há muito tempo entre a Jarbas Passarinho e a Dom Pedro I”, disse outro estudante. Os jovens preferem não se identificar por medo de sofrer represália.

Moradora da travessa Pirajá, a psicóloga Michelle Costa ouviu a vizinha gritar que os jovens estavam quebrando o carro dela. Durante a briga com pedras, o carro dela, um Honda Fit dourado, teve a lataria amassada e arranhada. “Eu estava dentro de casa, com o carro estacionado na Pirajá. Não sabemos como ocorreu. Eu não vi quem foi. A polícia disse que só vai enviar para a delegacia se eu apontar quem foi. Eu queria que fossem todos (para a delegacia). Mas, sendo assim, eu não vou nem registrar o boletim de ocorrência”, disse ela. Moradores relataram que outro condutor teve o carro danificado na briga, mas ele não foi localizado pela reportagem. 

O sargento José Nazareno Martins, da Companhia Independente de Policiamento Escolar, confirmou que a briga era entre jovens ligados às escolas públicas da redondeza e que essas disputas violentas são comuns nos finais de tarde. “Vamos registrar apenas um boletim no quartel e depois vamos liberá-los”, disse.

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