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João Paulo II encanta e comove o Pará durante visita

O Papa que virou santo veio a Belém e Ananindeua em julho de 1980


Por: O Liberal Em 19 de dezembro, 2016 - 08h08 - O Liberal 70 anos

Foto: Reprodução

Belém recebeu, há 36 anos, a ilustre visita do papa João Paulo II, que é um dos mais novos santos da Igreja Católica. Foi nos dias 8 e 9 de julho de 1980. A data entrou para a história e ficou marcada na memória de muitos católicos paraenses. No aeroporto foi recebido pelo então comandante da Base Aérea de Belém, coronel Baratta Netto; pelo então governador do Estado, Alacid Nunes, e sua esposa; também pelo bispo auxiliar Dom Tadeu Prost e por outras autoridades. A chegada do pontífice à capital paraense foi transmitida ao vivo pela TV Liberal, das Organizações Romulo Maiorana (ORM).

Por onde passava o “Papa-móvel”, João Paulo II recebia o carinho dos paraenses, que enfeitaram suas casas de amarelo e branco - as cores do Vaticano - para receber o sumo pontífice. Com muita disposição, o sucessor de Pedro não se limitou a distribuir acenos e bênçãos, e foi ao encontro de cada pessoa, dos ricos aos mais pobres, do centro da cidade à periferia, pregando a solidariedade e o amor ao próximo.

Dona Lucinda Nogueira, hoje com 76 anos, teve a honra de ver de perto o papa João Paulo II em Belém. Na época, ela morava no município de Marituba e seguiu até a capital paraense para ver o sumo pontífice. “Por onde passava, ele parava, falava com as pessoas. Era muito acessível. Na missa, as pessoas ficavam comovidas com tamanha humildade. Os momentos inesquecíveis que vivi na época ficarão guardados comigo até o dia em que eu morrer”. E completa: “a simpatia do papa era algo de se admirar. As pessoas ficavam encantadas com isso, o sorriso estava sempre no rosto. Não se intimidou com o forte calor de Belém. Tinha muita disposição”, relembra.

Depois de ser recebido no aeroporto pelas autoridades locais, João Paulo II seguiu para o Seminário São Pio X, em Ananindeua, onde foi recebido por seminaristas, sacerdotes e representantes do Movimento Serra Clube. Ao chegar ao seminário foi levado a uma capela onde era aguardado por um grupo de carmelitas portuguesas de Moçambique, na África, e que vieram ao Estado instalar uma de suas casas. O papa abençoou a pedra fundamental do convento de Benevides. Já na Colônia de Hansenianos, em Marituba, o papa dirigiu palavras de encorajamento aos portadores da doença que viviam isolados do resto da cidade por causa do preconceito que se tinha sobre a doença na época.

Uma carreata saiu pela rodovia BR-316 até a avenida 1° de Dezembro, onde o papa celebrou missa na esquina com a travessa Mauriti, no bairro do Marco. Hoje, a avenida leva o seu nome como homenagem. Em seguida, foi para a Catedral de Belém. Na época, o fato tomou uma grande repercussão porque estava prevista uma parada no largo de Nazaré. Na entrada da Basílica haviam colocado a berlinda com a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré. As ruas foram tomadas pelos católicos, que ficaram frustrados ao ver o “Papa-móvel” passar em alta velocidade. O motivo foi descoberto somente meses depois: uma falsa denúncia de que uma bomba seria acionada quando o papa passasse pelo local fez com que os seguranças decidissem acelerar o veículo.

No último dia da viagem ao Pará, o papa pediu que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré fosse levada até ele. Com ela em mãos, deu a bênção ao povo, que estava no largo da Igreja da Sé, antes de seguir para o aeroporto. Além de Belém, o papa visitou outras 14 cidades no Brasil. Foram 13 dias de muitos encontros, visitas e compromissos.

SANTO

Em 2014, o papa Francisco declarou a canonização de João Paulo II diante de centenas de milhares de pessoas na Praça de São Pedro, no Vaticano, numa cerimônia que contou com a presença do papa emérito Bento XVI. A condição primordial que a Congregação para a Causa dos Santos leva em conta quando decide sobre os novos santos pela Igreja Católica é o reconhecimento de dois milagres. 

O mais recente milagre de João Paulo II beneficiou uma latino-americana até então sem práticas religiosas. Trata-se de Floribeth Mora, que ingressou em um hospital da Costa Rica com um aneurisma cerebral grave, em maio de 2011. Já o primeiro milagre confirmado pela Congregação foi o da irmã francesa Marie Simon-Pierre, com o qual se iniciou o processo de canonização de João Paulo II.