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Holanda surpreende com avanço da extrema-direita

Possível vitória de partido anti-imigrante contrasta com tradição de tolerância do país.


Por: O GLOBO Em 12 de março, 2017 - 13h01 - Mundo

Campanha. Durante a visita de Wilders à cidade holandesa de Breda, um manifestante levanta um cartaz dizendo: “Não dê um voto ao ódio e ao medo”. O candidato da extrema-direita pode ser o mais votado nas eleições de quarta-feira   Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/as-vesperas-das-eleicoes-holanda-surpreende-com-avanco-da-extrema-direita-21047821#ixzz4b8ET8cI3  © 1996 - 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. (Foto: O Globo)

Na contramão da sua tradição histórica, conhecida por receber judeus que fugiam da perseguição nazista e como um país progressista e liberal, a Holanda acompanha com suspense a expansão da extrema-direita e do racismo, o que pode ganhar contornos ainda mais fortes com a possível eleição de Geert Wilders, candidato do Partido da Liberdade (PVV), na próxima quarta-feira. Ao contrário de outros países onde a extrema-direita cresce, a Holanda não sofreu um atentado terrorista, não tem uma alta taxa de desemprego nem enfrenta uma crise econômica, daí a surpresa com o descontentamento da população com os partidos tradicionais e o impulso que o movimento vem tomando desde o início do século.

Embora todos os partidos, inclusive o conservador do primeiro-ministro Mark Rutte (DVV), já tenham recusado de antemão qualquer tipo de aliança com Wilders, uma vitória do PVV é vista por analistas políticos como ameaça para a União Europeia. Não só pelo fato de o candidato defender a saída do país do bloco como porque poderia causar reflexos nas eleições francesas, em abril. "O sucesso da extrema-direita na Holanda é um enigma que desperta, de novo, muitas indagações sobre a identidade nacional do povo holandês", lembra o escritor Geert Mak.

A enorme popularidade do político, que tem como principal meta o fechamento das fronteiras contra a entrada de imigrantes, é vista como uma contradição, ainda mais porque trata-se de um país que deve a sua riqueza à indústria de exportação, com crescimento do PIB e baixa dívida externa. Apesar disso, muitos citam a imigração — e o temor de perder seu emprego para estrangeiros — para justificar o voto em Wilders. "Os eleitores da extrema-direita não são os pobres no sentido clássico, mas aqueles que têm medo de ficar pobres", afirma Philipp Krämer, cientista político da Universidade Livre de Berlim.