Hoje ainda é dia de rock, bebê!

Bandas de Belém exigem mais espaço para a nova geração de roqueiros


Por: O Liberal Em 13 de julho, 2016 - 10h10 - Shows

Hoje, 13 de julho, é o comemorado o Dia Mundial do Rock. Em mais de meio século de existência o genêro foi celebrado por multidões, passou por bons e maus bocados e chegou a ser dado como morto algumas vezes. Mas, como fênix, sempre deu um jeito de reaparecer, resgatado das trevas por algum adolescente talentoso e entediado, o Rock´n´roll se tornou um marco no cenário musical e ganhou um dia inteiramente dedicado a ele. 

Segundo fontes diversas, a data comemorativa teve origem graças ao icônico concerto beneficente “Live Aid” que foi realizado no dia 13 de julho de 1985. O evento foi organizado pelo músico irlandês Bob Geldof e o escocês Midge Ure para arrecadar doações para famílias pobres da Etiópia, e reuniu algumas das bandas e nomes mais importantes do rock internacional como Queen, U2, The Who, Led Zeppelin, Black Sabbath, Dire Straits, David Bowie, Paul McCartney, Eric Clapton, Phil Collins, Elton John, Mick Jagger e BB King.

Os shows principais foram feitos no estádio John F. Kennedy na Filadélfia, EUA, e em Wembley, em Londres, na Inglaterra. Além disso, um número menor de artistas também se apresentou na Rússia, na Austrália e no Japão. No total, os concertos reuniram mais de 200 mil pessoas e foram vistos ao vivo por mais de 1,5 bilhão de telespectadores de mais de 100 países.

Apesar de ser um evento mundial, curiosamente a data só é comemorada aqui no Brasil e para muitos músicos, este é um dia muito especial.  “O dia rock é muito importante para gente porque esse estilo influencia diretamente a nossa vida. O rock sempre embalou a nossa infância e agora embala a juventude, e ver essa confraternização de pessoas que curtem esse som e perceber essa união é muito bom”, explica Lucas Castanha, vocalista e guitarrista do grupo The Steamy Frogs, criado em Icoaraci, distrito de Belém.

Foto: Henrique Monteverde

REGIONAL

Segundo Enzo Marques, guitarrista da banda regional Velhos Cabanos, a data é uma ótima oportunidade para refletir sobre a situação atual do rock paraense. O jovem, que tem influências musicais de Pink Floyd, Janis Joplin, Led Zeppelin e Black Sabbath, explica que atualmente “fazer rock em Belém é bom, mas poderia ser melhor”. “Notamos que a cultura do rock é preservada na nossa cidade. Porém ainda existem inúmeras bandas que precisam ser observadas, além de muitos locais e eventos que também precisam de mais atenção, claro que não dá para olhar para todo mundo, mas às vezes ficamos cansados de ter os mesmos grupos de sempre em eventos e festivais, sendo que tem centenas querendo aparecer”, revela. 

Para ele, as bandas locais enfrentam muitas dificuldades e uma das principais é a falta de espaço para o rock autoral e a falta de apoio. “As bandas novas têm que competir com outras que já estão há muito tempo na cena; então às vezes até ‘pagamos pra tocar’ pois não há incentivo. Isso acaba nos fazendo optar para o ‘faça você mesmo’, e tiramos muito do nosso bolso para poder trilhar nosso caminho”, revela.

Na estrada há um ano e meio como vocalista da Steamy Frogs, Castanha concorda com Marques e lembra que o grupo sempre enfrentou dificuldades para conseguir seu espaço. “Nós que não temos nada gravado oficialmente temos gastado muito mais do que gravado e a expectativa é de que daqui para frente as pessoas possam dar mais valor para quem está criando alguma coisa porque já chega da mesmice”, apela.

ENTUSIASMO

Apesar das dificuldades, o músico não perde o entusiasmo e a força de vontade e acredita que é possível sim, fazer um bom rock regional de qualidade e deixar sua contribuição para o gênero. “O rock de Belém já teve seus altos e baixos e parece que agora tá dando aquela efervescida de novo. O cenário hoje é bem otimista”, avalia Lucas.

Criada em 2015, a The Steamy Frogs surgiu com o intuito de produzir música sem rótulos que possibilitem ao ouvinte sensações e sentimentos. Com um som psicodélico e progressivo o grupo formado por Lucas Castanha (vocal e guitarra ritmica) Felipe Mendes (Teclados) Tiago Ribeiro (Contrabaixo e vocal de apoio) Alan Vitor Farias (Guitarra solo e vocal de apoio) e Lucas Armstrong (Bateria e vocal de apoio) traz influências tanto da música nacional quanto da música internacional e lembra que esse dia do rock é uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho das bandas locais. Lucas também revela que quem dá uma chance ao rock regional encontra uma mistura de ritmos tipicamente paraense. “Em alguns festivais, o público pode ver bandas de rock tocando com grupos de carimbó. Também tem guitarrada e brega com grupos de metal. É muito interessante perceber que o cenário do rock e o cenário artístico paraense no geral estão se tornando cada vez mais bonitos”, comenta o jovem.

Já a Velhos Cabanos, que também surgiu em Icoaraci e mescla influências das primeiras waves progressivas e setentistas para fazer um som “neo-psicodélico”, adianta que o rock regional também aposta na performance teatral para cativar os fãs e conquistar novos admiradores. Eles contam que no palco incorporam os mais variados campos artísticos, para quebrar qualquer barreira e integrar as linguagens e expressões no universo das artes. E para hoje, o guitarrista do grupo deixa o recado: “Procurem se inteirar nas bandas que estão surgindo e que ainda não têm esse espaço na cena. Apoiem o independente, tem muito projeto bom sendo desenvolvido e que merece sim todo o apoio. Acorde de Novo; The Steamy Frogs; Ultramodernos; The Crush Machine; Os Anacrônicos; Sinistro Dakota, Os Bandoleiros e a Cigana; Por Favor, Sem Fúria; Ádrian Neves; Zuni Apache; The Blacks são boas bandas locais para quem quer conhecer o rock paraense”, diz ele.

HISTÓRIA

Segundo historiadores, o marco zero do rock teria acontecido em julho de 1954, quando Elvis Presley entrou no Sun Studios, em Memphis, e gravou “That’s Allright Mamma”. Mas, vamos deixar uma coisa bem clara: Elvis não inventou o rock. Antes dele, gente como Chuck Berry e Bill Halley já tocavam esse tipo de música. 

Porém, se não criou o rock , Elvis ao menos pode ser considerado o mensageiro que apresentou o genêro ao mundo. Era o homem certo no momento certo e com seu talento e carisma popularizou o estilo musical. “Ele é um ícone de gerações! Impossível falar de rock sem lembrar de Elvis”, avalia o estudante Gabriel Henrique, que influenciado pelo astro e por muitos outros nomes do rock, é guitarrista nas horas vagas, como define ele.

Segundo o jovem, depois de Elvis, muitos outros ícones surgiram, e além da lista de bandas regionais, o jovem destaca que todos aqueles nomes que estavam presentes no “Live Aid” são ótimas pedidas para se tornarem trilha de hoje. Além deles, também há espaço para o rock nacional, que para ele, também é uma vertente muito importante para a história da música e do rock’n’roll.