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Guerrilhas virtuais

Redes sociais se transformaram num tribunal de exceção onde inimigos acertam contas


Por: O Liberal Em 19 de setembro, 2016 - 07h07 - Editorial

Atriz e ex-modelo conhecida nacionalmente pede a uma rede social para que suprima postagens ofensivas a ela. E são coisas horríveis que vêm sendo ditas.

Cidadãos comuns, que estão muito longe de ser celebridade, também estão pedindo à Justiça em todo o País, todo dia, o dia todo, para que sejam identificados os autores de ameaças de morte.

O que assemelha a atriz e ex-modelo a cidadãos comuns? É o fato de que ninguém, absolutamente ninguém nessas redes sociais, está imune a crimes como os que são perpetrados por gente que ainda se encontra na Idade Pedra em termos do compartilhamento de experiências com expressivas coletividades.

Elementos que se escondem atrás de fakes, como são chamados os perfis anônimos, para atacar a honra de terceiros, quartos e quintos, são aqueles que elegeram esse novo tipo de diversão para regalar-se, muito embora seja pouco provável que não saibam ser suas condutas flagrantemente afrontosas à lei. E se são afrontosas, convém que respondam penalmente ou civilmente pelo que escrevem.

A responsabilização dessas pessoas - que se contam aos milhares, vale dizer -, adeptas dessas guerrilhas virtuais que desconhecem quaisquer limites, é uma imposição legal para impedir uma confusão que se alastra perigosamente.

A confusão consiste em imaginar que se esconder atrás de anonimatos para fazer brincadeiras em forma de disseminação de boatos com teores tenebrosos ou mesmo para difundir ofensas gratuitas é parte da liberdade de expressão. Não é, nunca foi e nunca será.

A liberdade de expressão tem limites em qualquer lugar. Não é um direito absoluto, como nenhum direito é. Não pode ser exercida ao ponto de se sobrepor a outros direitos, um deles o da preservação da intimidade. Não deve ser utilizada como uma gazua para estigmatizar e expor a vexames gente que nada fez para merecer esse tipo de tratamento.

É uma pena que as redes sociais venham sendo utilizadas, cada vez mais, para fins que não se prestam a integrar, mas que se destinam a ser um tribunal de exceção onde grupos e grupos se encontram para acertar suas contas.

Por isso é que a simples exposição de uma opinião pode se transformar num motivo para que os discordantes passem a promover uma espécie de razia moral para firmar posição contrária à que foi postada. E o mais impressionante: muitos consideram que essa forma de contrapor ideias é um debate. Estão enganados.

O debate pressupõe a divergência, não a ameaça. Pressupõe a discordância, não a ofensa moral. Pressupõe o confronto civilizado de ideias, não o palavrão. Tudo o que fugir disso pode ensejar crimes, como os que vêm sendo cometidos nas redes sociais.