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Generalizações subjetivas

Mas esse fato, é claro, não impediria - como não está impedindo - outros países


Por: O Liberal Em 21 de março, 2017 - 07h07 - Editorial

Habilita-se a ganhar vários quilos de carne - da mais pura, da mais hígida, aprovada por todos os controle de qualidade possíveis - quem levantar o dedo para dizer que já sabia das repercussões econômicas desfavoráveis decorrentes da Operação Carne Fraca, que a Polícia Federal deflagrou na sexta-feira passada e consistiu na revelações de que grandes frigoríficos teriam cometido ilícitos na produção e comercialização de seus produtos.

É evidente que a reação de vários países, suspendendo provisoriamente a importação de carne brasileira até que a situação seja esclarecida pelas investigações em curso, torna-se normal e lógica, depois que a PF divulgou os resultados preliminares de suas investigações.

O Brasil não faria o mesmo, se estivesse na condição de importador? É claro que sim. Não acionaria seus embaixadores para que se inteirassem precisamente da extensão dos riscos de importar carne de um país cujos grandes frigoríficos estão sob suspeitas? É evidente que sim.

É preciso, de qualquer forma, dar voz às entidades que representam o setor, um dos mais pujantes da economia. É necessário ouvi-los. Convém ponderar suas apreciações. Recomenda-se que suas explicações, em defesa do segmentos em que atuam, não fiquem em segundo plano.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reprovam a maneira como a PF divulgou os resultados da operação.

Para os representantes das associações, a comunicação da operação foi feita de maneira equivocada e prejudica o setor. “A comunicação ensejou tudo isso”, disse Francisco Turra, da ABPA. “Passou uma imagem generalizada de que tudo no Brasil é ruim, e não é isso.” Os empresários mostram que os problemas foram pontuais, localizados, de forma a evitar que a imagem da carne brasileira seja prejudicada.

“A generalização é um caos, é catastrófica, não pode existir nunca, porque destrói a imagem do produto e do país”, ponderou Turra. “Se a gente não tiver interesse pelo emprego, pelo agro, bom, aí, que bom, vamos generalizar. Vamos chegar, ó: um saco de soja no Mato Grosso colhido com uma proteína nociva à saúde, produção brasileira toda contaminada. É isso? Não.”

A manifestação das entidades é relevante, entre outras coisas, porque demonstra que avaliações subjetivas sempre vão ensejar polêmicas. Neste caso, os fatos demonstram que a Polícia Federal não fez generalizações. Ao contrário, nominou todos os frigoríficos sob investigações.

Mas esse fato, é claro, não impediria - como não está impedindo - outros países de adotarem uma postura de cautela. Exatamente como o Brasil faria.