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Fundos de fraudes

Há muito tempo que os fundos de pensão são fontes de fraudes. Até que a polícia chegou lá


Por: O Liberal Em 08 de setembro, 2016 - 07h07 - Editorial

Que os fundos de pensão tornaram-se há anos um caso de polícia, isso todo mundo sempre soube. O que nunca ninguém compreendeu é por que motivo a polícia ainda não havia chegado a essa copiosa, interminável fonte de desregramentos.

Ninguém deve se assustar, por isso mesmo, com a Operação Greenfield, deflagrada pela Polícia Federal na última segunda-feira, como parte das investigações sobre irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão do País, todos ligados a estatais. Os desvios, de acordo com estimativas iniciais, são de pelo menos R$ 8 bilhões.

Antes disso, na primeira quinzena de abril deste ano, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão pediu o indiciamento de 145 suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção nos fundos da Caixa Econômica Federal (Funcef), dos Correios (Postalis), da Petrobras (Petros) e do Banco do Brasil (Previ).

A CPI apurou prejuízo de R$ 113,4 bilhões, com a desvalorização de ativos dos quatro fundos de pensão no período de 2011 a 2015. De acordo com o relatório, a rentabilidade do ativo da Previ nesse período ficou abaixo da meta mínima em R$ 68,9 bilhões. Na Petros e na Funcef, o prejuízo para os ativos foi de R$ 22,3 bilhões e R$ 18,1 bilhões, respectivamente. Já no Postalis a baixa foi de R$ 4,1 bilhões.

Não é um caso de polícia? Não é um caso escancarado de gestão temerária? Não é um acintoso episódio em que fraudes com o dinheiro de contribuintes tornaram-se banais, corriqueiras, comezinhas e frequentes?

A própria Polícia Federal já antecipou que os investigados podem ser indiciados por gestão temerária ou fraudulenta. Também podem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. E não é para menos.

Balanços recentes dos fundos Previ, Petros, Funcef e Postalis apontaram um rombo de R$ 50 bilhões. Em 2014, no entanto, relatório da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), enviado à Procuradoria Geral da República, indicou parte desse rombo e suspeitas de irregularidades nos quatro principais fundos do Brasil, transformando-se no estopim da operação Greenfield.

Descobriu-se que, entre bilhões que faziam parte do gigantesco buraco nos fundos Previ, Petros, Funcef e Postalis, R$ 8 bi são suspeitos de não serem apenas resultado de consequências econômicas, falta de sorte e má gestão nos fundos, mas da pratica de crimes. Precisamente, de gestão fraudulenta e temerária.

É espantoso que as fraudes tenham ocorrido seguidamente durante tantos anos. Mas menos mal que agora a polícia e o Ministério Público agiram. E certamente que as investigações não ficarão sem consequências.