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Falhas aéreas


Por: O Liberal Em 27 de dezembro, 2016 - 08h08 - Editorial

Oavião de longe é o meio de transporte mais seguro, mas o crescente número de acidentes tem assustado o mundo. Neste final de 2016, ano marcado por vários acidentes aéreos, 92 pessoas morreram após a queda de aeronave comercial russa no Mar Negro. A tragédia trouxe à tona as dores de uma ferida ainda não cicatrizada no Brasil, com o acidente que vitimou jornalistas e parte do elenco da Chapecoense na Colômbia. 

Nos dois casos, uma semelhança: falhas de gestão que podem ter provocado os acidentes. Em relação ao avião russo, a possibilidade de problemas de manutenção em aeronave que operava há 33 anos ininterruptos; na situação do voo da Chapecoense, a empresa LaMia é acusada de liberar decolagem mesmo com excesso de peso e pouco combustível - e, mais grave ainda, o piloto sabia das limitações. 

Estes acidentes e outros que ocorreram nos últimos dois anos se apresentam na contramão de uma tendência de evolução tecnológica que deveria garantir índices de falhas próximos de zero. O que está em questionamento é, na verdade, a capacidade de gerenciamento e regulação do uso de aeronaves de forma comercial. Até que ponto atestados de manutenção e registros são válidos se aviões continuam a cair?

O problema tem escala mundial, mas é muito presente na região amazônica, com aviões de menor porte, como bimotores e monomotores - o que aumenta a responsabilidade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Infraero. Com aeronaves maiores, como boeings, falhas de turbinas são provocadas, sobretudo, por choques com aves. Na Grande Belém, até águias são usadas para afastar urubus que se alastram nas proximidades do Aeroporto Internacional por conta de lixões clandestinos nas imediações.  

O Brasil, de dimensões continentais e crescente mercado de transporte aeronáutico, é um dos países onde mais caem aviões, com duas centenas de acidentes contabilizados desde 1922, de acordo com o ACRO, escritório de registro de falhas aeronáuticas, localizado em Genebra, Suíça. Em mais da metade desses casos, a tragédia inclui falhas humanas. 

A Colômbia, onde caiu o avião que transportava a delegação da Chapecoense, também está na lista dos países que acumulam grande número de acidentes, mas neste caso, o problema teve origem na Bolívia, onde está sediada a aérea LaMia. Relatório preliminar da Aeronáutica Civil da Colômbia (Aerocivil), mostra que piloto e copiloto estavam conscientes de que o combustível não era suficiente para a viagem. Além disso, o avião não estava certificado para voar acima de 29 mil pés.

No fim das contas, a ilegalidade da LaMia e falhas humanas e das agências reguladoras abriram espaço para a tragédia.