Mais Acessadas

Fabinho é uma das atrações do Monaco, contra o Dortmund

Ex-lateral tricolor Fabinho se converte em volante multifuncional


Por: O Globo Em 11 de abril, 2017 - 09h09 - Futebol

Foto: Martin Meissner / AP

Conhecido pelo luxo e glamour, Mônaco tem a fama de dedicar um olhar um tanto blasé ao futebol. Talvez os meros 22% de monegascos entre seus habitantes expliquem a razão de o estádio Louis II ter a pior média de público do Campeonato Francês, com nove mil pessoas ocupando pouco mais da metade dos 16 mil assentos a cada rodada. Mas foi nesse ambiente que floresceu uma das mais atraentes equipes da temporada europeia.

Os 133 gols em 51 jogos são o emblema de um time que mistura técnica, ofensividade, impressionante capacidade física e uma base jovem. E um destes jovens, o brasileiro Fabinho, de 23 anos, vive uma espécie de reinvenção. Feliz com a vida no principado e por notar que “o sol está aparecendo nesta primavera europeia”, ele viverá hoje um desafio especial em mais uma etapa do que chama de aventura: a jornada do Monaco na Liga dos Campeões. Às 15h45m (transmissão do EI Maxx 2), o time enfrenta o Borussia Dortmund, no jogo de ida das quartas de final, na Alemanha.

Logo que o português Leonardo Jardim chegou ao Monaco, em 2014, disse a Fabinho que o escalaria, eventualmente, como volante. Jogara na posição pelo Paulínia, onde fez boa parte da formação. Em Xerém, na base do Fluminense, fixou-se como lateral e teve convocações para a seleção. Na temporada passada, uma necessidade do time o fez ser meio-campista numa vitória, em Londres, sobre o Arsenal. No início da campanha atual, Jardim decretou que Fabinho iria para o meio-campo. O brasileiro relutou.

— Minha receptividade não foi boa. Eu via mais oportunidades para mim na lateral. Pensei também na seleção, que tinha o Daniel Alves como titular e um reserva que variava — afirmou. — Hoje, não sei dizer em que posição disputo vaga na seleção. Eu me sinto pronto para jogar nas duas.

A tese de que a experiência europeia amplia horizontes táticos de um jogador se aplica a Fabinho. Ele é capaz de elencar uma série de transformações em seu jogo. Titular absoluto do meio-campo, já marcou 11 gols e deu quatro passes para gol em 45 partidas nesta temporada.

— Como lateral, você dá mais piques e corridas longas. No meio-campo, são mais corridas curtas. O esforço é maior. Participo mais do jogo, da armação, fico mais com a bola. E consigo chegar de forma mais frontal ao gol. Quando preciso ir junto à defesa, receber a bola de costas para iniciar as jogadas, era mais difícil. Mas evoluí. Ganhei polivalência — avalia Fabinho. — Tive que melhorar também a leitura do jogo, ficar atento a quem dá o passe e a quem recebe. Porque muitas vezes o meia adversário se posiciona às minhas costas.

Do jogador que cruzava bolas da lateral, Fabinho passou a tentar passes em profundidade, pelo meio das defesas:

— Ainda preciso melhorar. Às vezes sai longo ou curto.

E ainda tem que chegar à área para concluir, como no gol que ajudou a eliminar o Manchester City, nas oitavas.

— Acho que, ali, o mundo passou a nos olhar de forma diferente — afirma Fabinho, que sempre recorre à palavra intensidade para falar deste Monaco.

Para fazer tantos gols, o time de Leonardo Jardim é capaz de marcar com os onze jogadores e de, rapidamente, mover a bola e fazer o time inteiro entrar no campo rival. Jogadores bem dotados fisicamente, como o volante Bakayoko e o lateral Sidibé — ambos serão desfalques hoje —, se juntam a jovens como o próprio Fabinho, o lateral Mendy, que, segundo o brasileiro, “parece um trator” e a maior revelação, o atacante Mbappe, de 18 anos. O recurso a jovens se tornou mais habitual por causa de um divórcio: há três anos, o russo Dmitry Rybolovlev, magnata que comprou o clube em 2011, teve que pagar mais de R$ 10 bilhões à ex-mulher, por ordem da justiça. Pelo segundo ano seguido, o Monaco chega às quartas da Liga dos Campeões.

SEM ASSÉDIO

Para um time jovem, uma ocasião tão importante significa tudo, menos pressão.

— A prioridade é o Campeonato Francês (o clube não vence há 17 anos). A Liga dos Campeões, encaramos como uma aventura. Não somos os mais fortes, os favoritos. Vamos até onde deixarem. Até no Francês, imaginávamos lutar pelo segundo lugar, com o PSG disparando.

O sorteio colocou o Dortmund no caminho do Monaco e, em tese, não há motivos para complexos hoje.

— Times como Bayern, Real Madrid e Barcelona estão à frente do Dortmund. Se houver alguma vantagem, diria que é 55% a 45% para eles.

Jogar no Monaco é se habituar a uma realidade peculiar. O jogo com o Manchester City encheu o estádio, o que é raro. Mas não alterou a rotina dos jogadores. Andar pelas ruas do principado é uma tarefa tranquila, raramente interrompida por um pedido de foto.

— Por vezes, temos mais torcida fora de casa — diz Fabinho. — Primeiro, quero ganhar um título no Monaco. Depois, gostaria de jogar no Campeonato Espanhol ou no Inglês.