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Exposição no Banco da Amazônia reúne mantos de Nazaré

Exposição está no Espaço Cultural, com curadoria de Darcilene Batista Costa


Por: O Liberal Em 27 de setembro, 2017 - 11h11 - Círio

Tarso Sarraf

Com a finalidade de resgatar a história da maior festividade religiosa do Pará, o Banco da Amazônia abriu ontem a exposição “Círio de Nazaré de Belém do Pará: Patrimônio Cultural da Humanidade”. A mostra apresenta ao público, gratuitamente, até 27 de outubro, os mantos produzidos pelas artistas Ester Paes França, Maria Alice Penna e Paula Novelino, além de esculturas e peças de miriti, itens tradicionais do Círio. A exposição acontece no no Espaço Cultural da instituição e tem a curadoria de Darcilene Batista Costa. 

A exposição será exibida de forma inédita, mostrando a festa popular de maneira diferenciada para a sociedade. Uma manifestação que se renova a cada ano como um processo histórico de construção social de um espaço e um tempo simbólico estruturado pela fé, pela política, pelo mercado, pelo lúdico, pela cultura e diversão. Os mantos elaborados pelas artistas foram feitos à mão, confeccionados e bordados com fio de ouro italiano e pedrarias e foram cedidos pelo Museu do Colégio Gentil. A história da produção dos mantos é denominada “Tesouros do Círio” e reúne cultura, origem e evolução material, valorizando o registro das emoções dessa festa cultural.

Muito emocionada, a curadora falou sobre o peso e a satisfação de estar à frente da exposição. “É muita responsabilidade, como curadora, trabalhar esta temática, fazendo uma integração de vários saberes, para dar conta de um tema tão rico quanto o Círio, pois o Círio é diversidade, é pluralidade, é multiculturalismo, envolve política, economia, cultura, arte, negócios, é imensurável. É uma responsabilidade gigante estar à frente desta exposição. Então você para, faz uma reflexão e se entrega para Nossa Senhora, coloca nas mãos dela o teu empenho, o teu sacrifício, as tuas noites de sono sem dormir para pesquisar, para pesquisar. É tudo por ti, Mãezinha. A gente faz com muito amor. Tem tudo para dar muito certo”, afirmou Darcilene. 

A responsável pela exposição falou, ainda, sobre os espaços preparados para deficientes físicos e idosos, visando tornar a atividade acessível para todos. “Nós temos uma proposta toda voltada para a acessibilidade universal, pensando não só naquelas pessoas que são deficientes, mas, também, nas que estão enfermas, ou muito idosas, cuja longevidade já não possibilita mais estar no Círio. É super importante pensar no outro, pensar no próximo, ser humildade, pensar que a gente apenas passa deste plano deixando nosso legado, afinal, a gente trabalha com a fé”, comentou a curadora. 

“Nós estamos agradecendo pelo capricho dos esplendorosos mantos desenhados e confeccionados pelas irmãs do Colégio Gentil, que iniciaram esta riqueza documental. Aqui, a gente presta homenagem à Ester Paes França, Maria Alice Penna e Paula Novelino, que eu, poeticamente, pensei nelas, e, como estava à noite, eu pensei que elas estavam bordando no céu para Deus. Então eu escrevi: que no céu estejam desenhando e bordando para o céu, cobertas pelo manto da Virgem Santíssima”, disse, chorando, a curadora, apontando para as escrituras na parede. 

Aberta ao público, a exposição permanece no Espaço Cultural do Basa, situado na avenida Presidente Vargas, até o dia 27 de outubro, com ações educativas, histórias do Círio e e mostra fotográfica.