Explosões no Egito causam mais de 30 mortos e cem feridos

Igreja de minoria cristã foi alvo de ataque, e, horas depois, homem-bomba se detonou próximo a outro templo; Estado Islâmico reivindicou autoria


Por: O Globo Em 09 de abril, 2017 - 10h10 - Mundo

Pelo menos 36 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas neste domingo por causa de duas explosões em igrejas coptas — minoria católica — no Egito. Uma delas abalou uma igreja na cidade de Tanta, no Delta do Nilo, deixando 25 mortos e mais de 70 feridos, informou a televisão estatal. Horas depois, uma nova explosão foi registrada perto de outro templo copta, a Igreja de São Marcos, na cidade de Alexandria, deixando onze mortos, segundo o último balanço do Ministério de Saúde do país. O atentado foi realizado por um homem-bomba e feriu mais de 30 pessoas. Estes são os mais recentes ataque a essa minoria religiosa, que tem sido cada vez mais alvo de militantes islâmicos.

Familiar de vítima em frente a igreja alvo de ataque em Tanta, no Egito, neste domingo (9) (Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters)

O Estado Islâmico reivindicou, algum tempo depois, a autoria dos ataques, que ocorreram apenas uma semana antes da Páscoa copta e no mesmo mês em que o Papa Francisco deve visitar o Egito. Ainda não se sabe a causa da explosão ocorrida em Tanta, uma cidade a menos de 100 quilômetros do Cairo. Esse local também foi local de outro ataque no início deste mês, quando um policial foi morto e 15 ficaram feridos depois que uma bomba explodiu perto de um centro de treinamento da polícia.

Testemunhas da explosão deste domingo descreveram uma cena de carnificina.

— Houve uma enorme explosão no corredor. O fogo e a fumaça se espalharam pela sala, e os ferimentos foram extremamente graves. Eu vi intestinos e pernas completamente separados dos corpos — relatou Vivian Fareeg à "Reuters", por telefone.

A comunidade cristã do Egito tem se sentido cada vez mais insegura desde que o Estado Islâmico se espalhou pelo Iraque e pela Síria em 2014, atacando impiedosamente as minorias religiosas. Em 2015, 21 cristãos egípcios que trabalhavam na Líbia foram mortos pelo Estado Islâmico.

Em fevereiro deste ano, famílias cristãs e estudantes fugiram em massa da província do Sinai do Egito depois que o Estado Islâmico começou uma série de assassinatos direcionados.

Esses ataques vieram depois de um dos mais mortíferos na minoria cristã do país em anos, quando um homem-bomba atingiu sua maior catedral copta, matando 25 pessoas. O Estado Islâmico, mais tarde, reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

Os coptas enfrentam ataques regulares por vizinhos muçulmanos, que queimam suas casas e igrejas em áreas rurais pobres, geralmente com raiva por um romance inter-religioso ou pela construção de uma igreja.