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Estivadores cancelam queima de fogos este ano

Trabalhadores vão se reunir para decidir se mantêm protesto no Círio


Por: O Liberal Em 03 de outubro, 2017 - 10h10 - Círio

A diretoria do Sindicato dos Estivadores e Trabalhadores em Estiva de Minérios do Estado do Pará (Setemep) vai reunir seus associados em uma assembleia geral, provavelmente antes desta quinta-feira, 5, para decidir se esses trabalhadores farão mesmo um protesto durante a Trasladação e a procissão do Círio de Nazaré. O sindicato anunciou essa manifestação por causa da proibição da tradicional queima de fogos na Praça dos Estivadores, que a categoria já realizava havia 68 anos. A ideia inicial era bloquear a passagem da procissão. Mas uma coisa é certa: mesmo que não haja mais essa manifestação, o sindicato já decidiu que, este ano, não realizará a queima dos fogos. 

Como está proibida a queima dos fogos naquela praça, eles também não aceitam fazer a homenagem em uma balsa ou na escadinha do cais do porto. “Estamos reavaliando essa decisão (de fazer o protesto)”, disse, ontem pela manhã, Roberto Almir Corrêa, assessor da diretoria do Setemep, do qual já foi presidente. “A romaria, a Santa, os romeiros, não podem pagar por um protesto nosso, motivado pela intransigência dos órgãos de segurança e prevenção. Vamos fazer uma reavaliação ainda esta semana”, afirmou.

Em 2017, as homenagens feitas pelos estivadores à Nossa Senhora de Nazaré completariam 103 anos. De 1914 até 1948, essa tradição era feita com flores, pétalas de rosas e algum tipo de promessa, que os estivadores jogavam na berlinda. Em 1949, e por causa da 2ª Guerra Mundial, faltou navio no cais, em Belém, de janeiro a agosto. E a categoria fez uma promessa: se os navios voltassem a atracar no porto, as homenagens passariam a ser com fogos. “E aconteceu o milagre. E, desde aí, homenageamos Nossa Senhora com fogos. São 68 anos que a categoria faz manifestação com fogos”, conta Roberto.

Segundo ele, ao longo dos anos essa tradição foi sendo aprimorada, com o emprego de novos métodos. “Hoje, nossos fogos são voltados principalmente para a segurança dos romeiros, dos turistas. São fogos que têm pouca fumaça. Não apresentam perigo nenhum. Nunca recebemos na porta desse sindicato alguém dizendo que queria uma indenização porque queimou o braço ou a cabeça. Nunca houve isso. E estou nessa casa (sindicato) há 53 anos”, afirmou. 

Roberto Almir contou que, em junho deste ano, o Sindicato apresentou seu projeto de queima de fogos para o Corpo de Bombeiros, mostrando que não haveria perigo. “É um projeto de responsabilidade do engenheiro químico, especialista em explosivos, e do próprio fogueteiro, uma pessoa experiente e que há anos trabalha com a gente”, ressaltou. “Os bombeiros fizeram uma instrução técnica, e o nosso projeto se adequou a essa instrução técnica, atendendo todas as exigências. Pagamos, inclusive, uma taxa para a Semob, para fechar a rua do Banco Central (ao lado da Praça dos Estivadores). E, há 20 dias, a diretoria foi convocada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup)”, informou Roberto.

Secretário geral do Sindicato, Marcelo Gomes de Souza contou que participou dessa reunião, que, inclusive, ele afirmou ter gravado. “Eles fizeram uma ata dizendo que o Sindicato dos Estivadores concordou com a mudança de local. Nós não concordamos com a mudança de local. Ficamos de trazer para a assembleia geral, para a categoria decidir. E a assembleia geral não concordou com a mudança de local. E propôs esse protesto”, afirmou. “Decidimos o seguinte: ou solta (os fogos) na praça ou não solta. Não se aceitou soltar em balsa e nem na escadinha”, afirmou Roberto. “A categoria está revoltada. São mais de mil famílias de estivadores, que querem parar a procissão”, completou Marcelo.