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Estados Unidos elevam taxa de juros pela 1ª vez no ano

Fed subiu taxas entre 0,5% e 0,75% e sinalizou um ritmo mais acelerado de alta em 2017


Por: G1 Em 14 de dezembro, 2016 - 16h04 - Economia

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) decidiu nesta quarta-feira (14), como o esperado pelo mercado, elevar as taxas de juros na maior economia do mundo. Com a alta, a primeira em 1 ano, os juros serão elevados para a faixa entre 0,5 e 0,75%, contra 0,25 a 0,5% atualmente.

A decisão foi tomada por todos os membros do Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC). Em seu comunicado, o Fed sinalizou um ritmo mais acelerado de alta para 2017, citando promessas do governo de Donald Trump para impulsionar o crescimento por cortes de impostos, gastos e desregulação.

Segundo o órgão, os indicadores de novembro mostraram que o mercado de trabalho continua se fortalecendo e a atividade econômica cresceu em um ritmo moderado desde o meio do ano.

Efeitos para o Brasil

A alta dos juros pelo Fed pode representar uma fuga de recursos aplicados em países emergentes para os EUA, considerados um porto seguro para investir. Esse fluxo de capital pode levar a uma tendência de alta do dólar em relação a moedas emergentes como o real.

Quando as taxas de juros estavam próximas de zero nos Estados Unidos, muitos investidores buscaram aplicar seus recursos em ativos de maior rentabilidade em mercados considerados mais arriscados, entre eles o Brasil.

A última elevação de juros nos EUA aconteceu em dezembro do ano passado, quando o Fed elevou os juros pela primeira vez em quase uma década.

Embora a alta já fosse amplamente esperada, investidores buscavam sinalizações sobre os próximos passos do banco central norte-americano após a eleição de Donald Trump à presidência do país.

Há temores de que sua política econômica seja inflacionária (devido a um esperado aumento do gasto público). O mercado acredita que, em tese, isso pode levar o Fed a ser mais agressivo em sua política de juros.

Última elevação

O Fed subiu os juros pela última vez em dezembro do ano passado, naquela que foi a primeira alta em quase uma década. Desde então, as taxas foram mantidas entre 0,25% a 0,50% nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC).

A taxa básica de juros dos EUA (equivalente à Selic brasileira) foi reduzida a patamares próximos a zero em 2008, para dar fôlego à economia norte-americana durante a crise financeira internacional.

Desde o meio do ano, o Fed já vinha cogitando uma nova elevação dos juros diante de números mais positivos sobre a recuperação da principal economia do mundo, mas foi adiando sua decisão devido à incerteza gerada pelo Brexit, à lentidão da recuperação da economia internacional, aos baixos preços do petróleo e às expectativas com os efeitos para a economia mundial da eleição presidencial norte-americana.

Os integrantes do Fomc vinham expressando dúvidas sobre a consolidação do mercado de trabalho e sobre a evolução da inflação nos EUA diante do fortalecimento do dólar frente a outras moedas.

Os dados do mercado de trabalho para novembro nos EUA foram melhores do que o previsto, fazendo a taxa de desemprego cair para 4,6%, seu menor nível em nove anos, enquanto a inflação, em 1,4%, se aproxima lentamente do objetivo de 2%.