Mais Acessadas

Esperança contra a corrupção

O Senado é a esperança do Brasil e dos brasileiros que não aguentam mais tanta corrupção


Por: O Liberal Em 02 de dezembro, 2016 - 08h08 - Editorial

O Senado é a esperança do Brasil e dos brasileiros que não aguentam mais tanta corrupção e tantos corruptos desfilando à solta na vida pública.

O Senado, por imposições constitucionais, para preservar a dignidade do Poder Legislativo e para não inviabilizar a Operação Lava Jato, precisa incontornavelmente reverter decisão da Câmara que mutilou e desfigurou completamente proposta que torna - ou seria tornava? - mais efetivo o combate à corrupção e aos corruptos com e sem colarinho branco.

O Senado precisa pensar no País, e não nos exercentes de eventuais mandatos eletivos. E precisa convencer-se de que interesses corporativos, inclusive e sobretudo os da classe política, são deletérios, perniciosos. Não podem, portanto, orientar as deliberações do Legislativo, porque contrários às aspirações do País.

Quais são as aspirações do Brasil e dos brasileiros? Que se restaure o projeto anticorrupção, revertendo-o aos termos do substitutivo aprovado à unanimidade em comissão especial da Câmara, conforme texto apresentado pelo relator, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), com a concordância do Ministério Público Federal, autor do que se convencionou chamar de “Dez Medidas contra a Corrupção”, às quais aderiram mais de 2 milhões de cidadãos.

Interesses e sentimentos pessoais, para não dizer personalíssimos, sobressaem de forma escancarada, escandalosa quando se verifica o perfil dos proponentes dos destaques que desfiguraram a proposta, após serem aprovados por larga maioria no plenário.

Um deles é o líder do PDT na Câmara dos Deputados, Weverton Rocha (MA). Ele propôs a emenda que expõe magistrados e membros do Ministério Público a crime de responsabilidade, em clara resposta à Operação Lava-jato e às medidas que endurecem o combate à corrupção.

De acordo com a Transparência Brasil, organização não-governamental que analisa a conduta e a atuação de parlamentares, Rocha está sendo investigado por peculato e corrupção, por suposto envolvimento com o desvio de verbas do Ministério do Trabalho, por meio da contratação irregular de ONGs.

O outro proponente é Carlos Marun (PMDB-MT), que já protagonizou discussão com um integrante do Movimento Brasil Livre e chamou de hipócritas parlamentares contrários à anistia de caixa dois, dizendo que não poderia ser criada lei para retroagir.

O terceiro autor de destaques é Afonso Florence (PT-BA), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário no primeiro governo Dilma Rousseff. Ele é o líder da bancada do PT, que tem vários investigados na Lava-Jato, como é de amplo conhecimento.

Espera-se que o Senado se oponha a esses interesses pessoais e corporativos. Pelo bem do Brasil.