Escritor fala sobre raça e identidade na Feira do Livro

Carlos Moore é o convidado do Encontro Literário de hoje, no Hangar


Por: O Liberal Em 01 de junho, 2016 - 08h08 - Dicas: livro e DVD

Foto: Divulgação

Doutor em Ciências Humanas e em Etnologia, o cubano exilado no Brasil Carlos Moore é um reconhecido especialista internacional em assuntos de raça e identidade. Autor de sete livros, ele é o convidado de hoje (1º) do Encontro Literário dentro da programação da XX Feira Pan-Amazônica do Livro. O escritor conversa com o público às 19h, no auditório Dalcídio Jurandir.

Carlos Moore vive há 18 anos em Salvador, na Bahia. Veio para o país depois de romper com o então presidente cubano Fidel Castro e ser preso. Antes, ele morou na França, tornou-se professor, jornalista e aprofundou-se ainda mais no tema, ao conviver com líderes como Malcom X, Alioune Diop e Aimé Césaire, Lélia Gonzalez, Abdias Nascimento e Fela Kuti, que serviu de inspiração para sua obra “Fela, esta vida puta”, uma biografia autorizada do músico e ativista nigeriano.

Um pouco de tudo isso é retratado em sua autobiografia recém-lançada no Brasil, “Pichón – minha vida e a revolução cubana” (Editora Nandyala), publicada aqui graças a uma campanha de financiamento colaborativo. É nela que o cubano retrata a infância pobre, em uma pequena cidade de Cuba onde nasceu, passou fome, sofreu violência e descobriu-se como alguém alijado da sociedade por conta da cor de sua pele.

Hoje aos 72 anos, considera que atualmente existem duas grandes ameaças à humanidade: o racismo e os problemas ambientais. “Para mim, o primeiro é uma das maiores ameaças ao ser humano, porque corrompe a sociedade. Ele avança, em vez de retroceder. Com as redes sociais, as tecnologias e a nanotecnologia, ele cresce mais ainda. O racismo está em todos os lugares e os maiores racistas estão entre os cientistas, o que é mais preocupante”, avalia o ativista.   

PAPO CABEÇA

A programação de hoje terá, ainda, no auditório Dalcídio Jurandir, das 15h às 16h30, o Papo-Cabeça, que vai debater o tema “Arqueologia e patrimônio cultural”, com Glenda Fernandes e Daniela Ferreira. Em seguida, no mesmo espaço, das 17h às 18h30, o Encontro Literário Paraense terá a Mesa: “Prêmios - luzes sobre as letras!”, com os escritores paraenses Alfredo Garcia, Antônio Moura, Daniel Leite e Eliane P. M. Soares e como mediador Tito Barata.   

No auditório Eneida de Moraes, 15h às 16h30, o Seminário “Belém do Pará, 400 anos de cultura - Arte e Cultura”, apresenta a Mesa: “Cenários da literatura em Belém”, com Aldrin Figueiredo, Amarílis Tupiassú e Lilia Silvestre Chaves. Em seguida, das 16h30 às 18h, o tema será “A Amazônia Indígena: passado, presente, futuro?”, com Rosani de Fátima Fernandes (Etnia Kaingang), Anna Maria Linhares e Rosa Claudia Pereira.