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Errar, aprender e evoluir: as lições do ano pré-olímpico

Em 2015, apesar do recorde de investimentos, resultados de atletas brasileiro preocupam Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/espo


Por: O Globo Em 19 de dezembro, 2015 - 14h02 - Olimpíadas

Foto: Marcos Alves/19-3-2015

O sinal amarelo está aceso. No ciclo em que o esporte brasileiro mais recebeu investimentos, o ano pré-olímpico de 2015 se encerra com resultados preocupantes para o sucesso dos atletas nos Jogos do Rio. A julgar pelos resultados nos campeonatos mundiais disputados durante esta temporada, a meta traçada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), de conquistar entre 27 e 30 medalhas, terminando no top 10 da classificação geral, está bastante ameaçada.

O GLOBO fez um levantamento selecionando 14 esportes nos quais o Brasil tem chances de chegar ao pódio nas Olimpíadas cariocas (veja abaixo). Quase todos tiveram campeonatos mundiais em 2015 — as exceções são o tênis, disputado em outro formato, e o futebol masculino. O resultado está longe dos objetivos brasileiros em 2016. Foram 17 medalhas, incluindo três na natação (em provas olímpicas), duas no judô, duas na canoagem, uma na maratona aquática, uma na vela, uma no atletismo, uma no pentatlo moderno e uma no vôlei feminino. O vôlei de praia foi além da conta: fez cinco pódios na Copa do Mundo da Holanda, mas o Brasil só terá quatro duplas (duas no masculino e duas no feminino) nos Jogos. Esportes que distribuem um grande número de medalhas, como atletismo e judô, estão entre as maiores decepções.

O COB reconhece que a temporada não foi boa, mas mantém a meta anunciada desde o ano passado e busca ver o copo meio cheio.

— Não foi um ano bom, sabemos disso. Não foi como 2013 e 2014. Liga o alerta de que não se pode baixar a guarda. Onde, ou quando, podia errar, nós erramos. Com estes resultados todos, temos um mapa, sabemos onde devemos canalizar os investimentos nestes meses que faltam. É a hora do funil, os investimentos serão mais direcionados — diz Sebastian Pereira, gerente de performance esportiva do COB. — A meta de medalhas e colocação está mantida.

‘ETERNOS FAVORITOS’

Foto: Ivo Gonzalez / Agência O Globo

´É claro que conquistar uma medalha em um Mundial de ano anterior aos Jogos não é nenhuma garantia de repetir o feito nas Olimpíadas, assim como é esperado que surjam medalhistas brasileiros que não se destacaram este ano.

Além dos que subiram ao pódio em 2015 enfrentando os melhores do mundo, o país tem casos de outros atletas que chegaram perto, como Marcus Vinicus D’Almeida, no tiro com arco, Jorge Zarif, na vela, e Arthur Nory, na ginástica.

Há ainda o grupo dos “favoritos tradicionais”, atletas ou equipes que, mesmo que não estejam mais no auge e nem apresentem resultados recentes muito empolgantes, sempre significarão uma chance de medalha como o velejador Robert Scheidt, o nadador Cesar Cielo e a seleção masculina de futebol.

Independentemente disso, a expectativa do COB é que o “fator casa”, com torcida a favor e conhecimento do clima e local das disputas, ajude o país a ter uma performance acima do que indica o retrospecto recente dos atletas.

ATLETISMO: FIASCO

Fabiana Murer, prata no salto com vara no Mundial, é a chance real de medalha do atletismo nas Olimpíadas. Só ela e João Vitor de Oliveira (110m com barreira) bateram em Pequim a marca pessoal, o que indica o mau momento do Brasil.

CANOAGEM: PAPA-MEDALHAS

Aos 21 anos, Isaquias Queiroz não para de evoluir. No Mundial de Milão, abriu mão de sua especialidade (C1 1.00m) para correr provas em que o Brasil não tinha vaga olímpica. Foi bronze nos C1 200m e ouro nos C2 1.000m, garantindo as vagas.

FUTEBOL: IMPROVISO

A seleção masculina teve ano pré-olímpico conturbado. O técnico Gallo foi demitido e substituído por Rogério Micale, mas o treinador no Rio será Dunga, com a pressão pelo ouro inédito. Já o time feminino não foi bem: caiu nas oitavas de final da Copa do Mundo no Canadá.

GINÁSTICA: FORA DO PÓDIO

O Mundial de Glasgow teve altos e baixos: pela primeira vez desde 2009, o Brasil não foi ao pódio, e o campeão Arthur Zanetti ficou fora da final nas argolas. No entanto, a equipe masculina conquistou uma vaga inédita para os Jogos. Arthur Nory, quarto na barra fixa, foi a surpresa.

JUDÔ: ABAIXO DA META

O Brasil teve o pior desempenho em 16 anos no Mundial. Em Astana, no Cazaquistão, a meta era de cinco medalhas, mas só Érika Miranda (até 52 kg) e Victor Penalber (até 81 kg), ambos bronze, foram ao pódio. Fica a aposta na recuperação de nomes como Mayra Aguiar e Sarah Menezes.

MARATONA AQUÁTICA: BOM MOMENTO

Ana Marcela Cunha termina 2015 em alta. No Mundial de Kazan, ela foi bronze nos 10km (a prova olímpica) e ouro nos 25km, e chegará como uma das favoritas a sua primeira Olimpíadas. Poliana Okimoto também é forte. No masculino, a chance de medalha do Brasil é com Allan do Carmo.

NATAÇÃO: ALTOS E BAIXOS

O resultado no Mundial de Kazan (7 medalhas, só 3 em provas olímpicas) foi pior que o de Barcelona-2013 (10 medalhas). O bronze de Bruno Fratus (50m livre) e a prata de Thiago Pereira (200m medley) são bons sinais. Cesar Cielo sofreu com lesão e ainda é uma incógnita para os Jogos.

PENTATLO: SEGUE NO TOPO

Bronze em Londres-2012, Yane Marques chegará ao Rio entre as melhores do mundo. Em 2015, ela foi bronze no Mundial de Berlim e ouro no Pan de Toronto, confirmando que é candidata a medalha em 2016. Antes, em 2013, foi prata no Mundial da Tailândia.

TÊNIS: NAS DUPLAS

Em 2015, Marcelo Melo se tornou o primeiro brasileiro a liderar o ranking mundial de duplas, o que já o credencia como candidato a medalha nas Olimpíadas. No Rio, formará com Bruno Soares (22º do ranking) uma das parcerias mais fortes.

TIRO COM ARCO: NA BRIGA

Marcus Vinicius D’Almeida tem só 17 anos e chance de medalha no Rio. Em 2015, ele foi campeão mundial sub-17 e, no Mundial adulto, caiu nas quartas de final, ficando entre os oito melhores. Não será favorito à medalha, mas está em boa fase.

VELA: BOAS CHANCES

As dez classes olímpicas tiveram Mundial em 2015. Os brasileiros com mais chance no Rio são Martine e Kahena (prata na 49erFX); Jorge Zarif (7º na Finn); Robert Scheidt (15º na Laser); e Ana Barbachan e Fernanda Oliveira, que não disputaram seu Mundial (470).

VÔLEI: INCÓGNITA

O Brasil estará sempre entre os favoritos, mas o cenário é duro. O time masculino ficou fora das semifinais da Liga, jogando no Rio. As meninas, que lutam pelo tri olímpico, ficaram em terceiro no Grand Prix. Ambas as seleções não jogaram a Copa do Mundo, pois o Brasil é país-sede das Olimpíadas.

VÔLEI DE PRAIA: FELIZ EXCEÇÃO

Um ano perfeito. No Mundial, ouro (Alison e Bruno) e bronze (Evandro e Pedro Solberg) no masculino, com as duplas dos Jogos. No feminino, ouro, prata e bronze. As campeãs mundiais Bárbara e Ágatha e Larissa e Talita serão as duplas olímpicas.